terça-feira, 27 de outubro de 2020

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 4º Bimestre - Turma 901


Cyberpunk 2077 é adiado pela terceira vez; jogo chega em dezembro

CD Projekt Red atribui novo adiamento à quantidade de versões do jogo que devem ser lançadas



Pela terceira vez desde sua data original de lançamento, Cyberpunk 2077 foi adiado. A nova data de chegada do jogo é 10 de dezembro, confirmou a CD Projekt Red nesta terça-feira (27).

Em uma nota assinada por Marcin Iwiński, cofundador da CD Projekt, e Adam Badowski, diretor do estúdio, a produtora pede desculpas aos fãs pelo novo adiamento, e atribui a nova data à quantidade de versões do jogo que terão que ser lançadas.

“O maior desafio para nós no momento é distribuir o jogo na geração atual, próxima geração e PC ao mesmo tempo, o que nos obriga a preparar e testar 9 versões dele”, aponta o texto.

O texto descreve ainda como Cyberpunk 2077 evoluiu para "quase se tornar" um título de próxima geração durante o desenvolvimento, o que levou o time a ter que garantir que todas as versões rodassem bem.

"Estamos cientes de que pode parecer irreal quando alguém diz que 21 dias podem fazer alguma diferença em um jogo tão massivo e complexo, mas realmente fazem", continua a nota. Veja abaixo:


Ainda no texto, Badowski e Iwiński explicam o significado do novo adiamento quando levamos em consideração o anúncio de que Cyberpunk 2077 já tinha sido anúnciado como pronto no final de outubro.

“Passar na certificação, ou 'going gold', significa que o jogo está pronto, pode ser concluído e tem todo o conteúdo. Mas não significa que paramos de trabalhar e elevar a barra de qualidade”, indica o texto. "Pelo contrário, este é o momento em que muitas melhorias estão sendo feitas, as quais serão distribuídas por meio de um patch do Dia 0. Este é o período de tempo que subestimamos."

Por fim, a dupla afirma acreditar que o estúdio tem um jogo "incrível" em mãos, e que ambos estão dispostos a "tomar qualquer decisão, até as mais difíceis" para garantir que isso leve a um jogo pelo qual "todos se apaixonem".

Cyberpunk 2077 era originalmente previsto para abril deste ano, mas acabou adiado para 17 de setembro. Em abril, a companhia afirmou que o jogo continuava programado para setembro, mesmo frente às complicações trazidas pela pandemia da Covid-19. Em junho, no entanto, o título acabou sendo empurrado para 19 de novembro, que era sua atual data de lançamento.




Fonte: G1

Educação

  4º Bimestre - Turma 901


Monoglotas e alienados? A avaliação de estudante brasileiros em 'competência global'

Relatório com base em questionários do Pisa tenta mensurar 'competências globais' de jovens de 15 anos; professores brasileiros se queixam de falta de preparo para ensinar em outros idiomas.



Os estudantes secundaristas brasileiros mantêm, em média, pouco contato com pessoas de outros países, são mais monoglotas (ou seja, falam um idioma só) e declaram ter menos conhecimento sobre questões globais do que alunos de outros países mensurados pela OCDE, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico.

Esse descolamento pode ser uma barreira adicional para estudantes brasileiros desenvolverem plenamente o que a organização chama de "competências globais", cada vez mais necessárias em um mundo mais competitivo e cujos desafios superam as fronteiras nacionais — como pandemias e mudanças climáticas.

A avaliação da OCDE foi feita por meio de questionários aplicados em 2018 durante o exame internacional Pisa, que mediu os conhecimentos de leitura, ciências e matemática de 600 mil estudantes de 15 anos em 79 países-membros, economias ou países parceiros da OCDE (caso do Brasil).

Pela primeira vez, em caráter experimental, a organização perguntou aos estudantes o quanto eles sentem ter conhecimento (e iniciativa para agir) sobre problemas globais, seu contato com imigrantes e outras culturas, sua habilidade em falar outras línguas e sua aprendizagem sob perspectivas diferentes das suas próprias.

O material sobre "competências globais" foi publicado em relatório nesta quinta-feira (22/10), intitulado "Os estudantes estão prontos para prosperar em um mundo interconectado?".

O relatório não traz nenhum tipo de ranking dos países participantes, e análises das diferentes perguntas permitem diferentes conclusões sobre o grau de interconectividade dos estudantes de cada nação.

Mas, segundo a OCDE, trata-se de uma iniciativa inicial para mensurar a capacidade dos estudantes do mundo em "1) analisar questões de significância local, global e cultural; 2) entender e levar em consideração as visões de mundo dos demais; 3) engajar-se em interações interculturais abertas, apropriadas e eficientes; e 4) ser capaz de agir pelo bem-estar coletivo e pelo desenvolvimento sustentável".

Para Andreas Schleicher, chefe de educação da OCDE, "ao lidar com a globalização, esta geração precisará de novas habilidades. Seja em ambientes de trabalho tradicionais ou empreendedores, os jovens precisarão colaborar com pessoas de diferentes disciplinas, culturas e sistemas de valor, de modo a resolver problemas complexos e criar valor social e econômico".



As respostas dos estudantes do Brasil


Cerca de 11 mil estudantes na faixa dos 15 anos participaram do Pisa 2018 e, por consequência, do questionário sobre interconectividade.

E eles estão no grupo de estudantes com menos proximidade com pessoas de outros países: enquanto em lugares como Albânia, Alemanha e Grécia ao menos 70% dos estudantes disseram ter contato com estrangeiros, essa porcentagem foi de 20% a 30% em Brasil, Argentina, México, Turquia e Vietnã.

No Brasil, pouco mais de um terço dos estudantes afirmaram falar mais de um idioma, índice só maior do que Coreia do Sul, México, Colômbia e Vietnã.

Em comparação, mais de 90% dos estudantes da Croácia, da Estônia e de Hong Kong afirmaram serem capazes de se expressar em mais de um idioma.

Segundo a OCDE, existe uma associação "positiva e significativa" entre contato com estrangeiros e domínio de outras línguas com a atitude dos estudantes, em sua "adaptabilidade cognitiva, sua (percepção de) autoeficiência sobre temas globais e seu interesse em aprender sobre outras culturas, seu respeito por pessoas de outras culturas e sua capacidade de ver sob diferentes perspectivas".

Mesmo no Brasil, quanto mais os estudantes tinham conhecimento de outros idiomas, mais demonstravam ter consciência de questões relevantes globalmente.

É bom fazer a ressalva de que, à diferença de muitos países participantes do questionário da OCDE, o Brasil é um país de dimensões continentais, com um único idioma oficial, e uma presença de imigrantes recentes relativamente pequena ao seu tamanho.

Dito isso, os estudantes brasileiros tiveram uma média muito inferior à da OCDE no quesito "consciência sobre assuntos globais".

A entidade mediu isso perguntando aos estudantes o quão familiarizados eles estavam a temas como aquecimento global, conflitos internacionais, desnutrição, causas da pobreza e igualdade entre homens e mulheres.

Alunos de Albânia, Lituânia e Grécia foram os que se autodeclararam mais capazes de responder sobre esses assuntos. Já o Brasil ficou em 53° entre os 65 países que participaram desse ponto do questionário.

Assim como em outros pontos da pesquisa, a OCDE encontrou aqui uma forte correlação entre o status socioeconômico dos estudantes e sua consciência sobre assuntos globais: os estudantes de classes sociais mais prósperas tinham mais conhecimento sobre esses assuntos do que seus pares mais pobres, tanto no Brasil como em outros países.

"Essas diferenças em conscientização relacionadas ao status socioeconômico podem ser resultado de um acesso desigual a oportunidades na escola, de aprender sobre assuntos globais", diz o relatório.

A OCDE também perguntou aos professores dos estudantes se eles sentiam necessidade de desenvolvimento profissional para ensinar em um segundo idioma e em um ambiente multicultural. Entre todos os países participantes, os professores do Brasil foram os que mais responderam "sim" às duas perguntas.

Em compensação, mais de 75% dos alunos brasileiros estudavam em escolas que realizavam celebrações e festivais de outras culturas, índice bem superior ao de 35% dos países da OCDE.

Em todos os países pesquisados, quanto mais prazer os estudantes tinham na leitura, mais eles tinham consciência sobre assuntos globais — provavelmente porque a leitura prazerosa aumentava a chance de esses alunos ganharem mais conhecimentos e serem expostos a diferentes fontes de informação.

Para Schleicher, da OCDE, a escola tem um papel fundamental em ajudar os estudantes a pensar e aprender de modo autônomo e a ampliar sua compreensão de outras culturas, tradições, modos de vida e formas de pensar.

"A habilidade de ler e entender a diversidade e de reconhecer valores liberais centrais de nossas sociedades, como tolerância e empatia, pode ajudar a responder ao extremismo e à radicalização", afirmou ele.

"Atitudes abertas e flexíveis serão vitais para os jovens coexistirem e interagirem com pessoas de outras fés e outros países. Também o serão os valores humanos comuns que nos unem."




Fonte: G1

Cultura

  4º Bimestre - Turma 901


Exposição do Museu do Prado faz reflexão sobre papel da mulher na arte espanhola entre 1833 e 1931

Museu faz 'mea-culpa' em primeira exposição após reabertura e reconhece discriminação contra mulheres artistas e misoginia na forma em que foram retratadas historicamente.




Escrava, bruxa, prostituta ou mãe: a representação da mulher na arte revela uma misoginia histórica que o Museu do Prado de Madri aborda em uma exposição fazendo o 'mea culpa'.

Inaugurada no início de outubro e prevista até março, "Convidadas" revela "uma ideologia, uma propaganda de Estado sobre a figura feminina", explica à AFP Carlos Navarro, curador desta exposição, a primeira do museu após o confinamento.

Pinturas, esculturas, fotografias ou vídeos entre 1833 e 1931 constituem esta exposição "sobre a mulher, a ideologia e as artes plásticas em Espanha".

Tratam-se de alguns "fragmentos" históricos que evidenciam o "pensamento burguês que quer validar o papel que a sociedade atribui às mulheres", continua Navarro.

O Prado, uma das maiores galerias de arte do mundo com dois séculos de história, se reconhece como corresponsável por esta misoginia com essa mostra.

A instituição reconhece que houve discriminação contra as mulheres artistas, mas também na forma como as mulheres foram representadas nas obras adquiridas pelo Estado e expostas pelo museu na época.


Misoginia

Este sexismo que as obras pintadas por homens emitem constitui a primeira parte da exposição, onde se descobrem que as mulheres raramente são protagonistas e que costumam ser relegadas a simples decorações ou acessórios em torno do homem.

Quando ocupam o primeiro plano, geralmente é contra sua vontade, como no caso de uma boêmia maltratada e excomungada em uma tela de Antonio Fillol Granell de 1914 intitulada "A rebelde".

Há também prostitutas com rostos cansados em numerosas pinturas ou outra que suplica à sua madame sob o olhar indiferente de um cliente fumando um cachimbo no fundo de um quarto sórdido ("A besta humana", Antonio Fillol Granell, 1897).



Ou modelos forçadas a posar nuas, chorando, numa época em que "não havia limites para a idade ou a violência do nu", explica Navarro diante de meninas nuas que desprezam o público ("Crisálida" em 1897 e "Inocência" em 1899 de Pedro Sáenz Sáenz) ou da imagem de uma escrava acorrentada ("Escrava à venda", José Jiménez Aranda, 1897).

Algumas obras empregam uma misoginia mais discreta, como "Soberba" (1908) de Baldomero Gili, com uma mulher elegante cujas roupas se confundem com a plumagem de um pavão atrás dela. Camuflada por uma estética elegante, era comum representar mulheres com certos atributos como o pavão, símbolo da vaidade, para encarnar os supostos defeitos do gênero feminino.

O visitante também poderá contemplar a cena censurada do filme mudo "Carmen" (1913), quando o rosto da personagem principal se ilumina de paixão quando um homem morde suas costas.


Polêmica

O Prado recupera também dezenas de obras pintadas por artistas que a história não colocou no lugar que mereciam: muitas naturezas mortas mas poucos retratos, que antes eram reservados a autores do sexo masculino.

Segundo o curador, a mostra traça os lapsos de um tempo que professoras como Rosa Bonheur ou María Antonia Bañuelos, por exemplo, não conseguiram apreciar. Subestimada por seus pares, as obras desta última estão todas no exterior agora.

Antes mesmo da inauguração, a iniciativa gerou polêmica por críticas de alguns grupos feministas. A mostra também teve que remover uma obra falsamente atribuída a uma mulher quando havia sido pintada por um homem.



A Rede de Pesquisa em Arte e Feminismo (RAF) denunciou que "a misoginia do século XIX continua a se projetar nas peças dessas artistas a pretexto de sua recriação histórica", enquanto o Observatório Mulheres nas Artes Visuais (MAV) criticou o título do exposição, vendo uma "chance perdida" de lutar contra o machismo.

O curador minimiza as críticas como uma "polêmica induzida por historiadores e principalmente por críticos de arte contemporânea que esperavam fazer parte do projeto".




Fonte: G1

Mundo

  4º Bimestre - Turma 901


Covid-19: Reino Unido registra maior número de mortes diárias desde maio

Foram confirmados 367 óbitos, o nível mais alto em cinco meses. Com isso, o total de mortes no país causadas pelo novo coronavírus atingiu 45.365.




O Reino Unido registrou na terça-feira (27) o maior número de mortes por Covid-19 em cinco meses.

Foram confirmados 367 óbitos, o nível mais alto desde maio. Com isso, o total de mortes no país causadas pelo novo coronavírus atingiu 45.365.

O Reino Unido teve desde o início da pandemia 920.660 casos, de acordo com a Universidade Johns Hopkins.

A alta do número de mortes diárias é considerada alarmante, mas deve ser contextualizada.

As estatísticas tendem a ser mais elevadas às terças-feiras por causa do atraso de notificações de mortes causados pelos finais de semana.

Estes óbitos ocorreram na verdade ao longo da última semana.

A segunda onda no Reino Unido

O Reino Unido enfrenta uma segunda onda da pandemia que levou à adoção de novas medidas de distanciamento social e quarentena.




Desde o final de setembro, quando acabou o verão, os números de casos, hospitalizações e mortes têm subido gradualmente, mas constantemente.

Nesta segunda onda, quando são analisadas as mortes de acordo com a data de sua ocorrência, o total diário não ultrapassou a marca de 200 óbitos.

Em comparação, na primeira onda de contágios de Covid-19, foi registrado um pico de mil mortes diárias.


Aumento de casos ocorre em vários países da Europa

O coronavírus está ressurgindo em muitas partes do mundo, com a Europa registrando o aumento mais acentuado de novos casos.

Isso fez com que Espanha e França se tornassem os primeiros desta região do mundo a ter mais de 1 milhão de casos.




A Espanha declarou estado de emergência e impôs toque de recolher noturno, medida também adotada pela França nas principais cidades do país.

A Itália ordenou o fechamento de bares, restaurantes, academias e cinemas, levando a protestos. E a República Tcheca estabeleceu um toque de recolher que vigora entre 21h e 4h59.

No mundo, já foram confirmados 43,7 milhões de casos desde que a Covid-19 foi detectada na China em dezembro do ano passado e 1,16 milhão de mortes.



Fonte: G1

Ética e Cidadania

  4º Bimestre - Turma 901


Motorista de aplicativo presenteia passageiros com livros da biblioteca herdada do pai

Professor de inglês que precisou encontrar nova fonte de renda com a pandemia, Celso Camargo, 60 anos, também distribui títulos da própria coleção a usuários do serviço em Porto Alegre



Os passageiros que embarcam no banco traseiro do Onix cinza não viajam desacompanhados, mesmo estando sozinhos. Podem deparar com Marcel Proust, Gabriel García Márquez, Luis Fernando Verissimo, Mario Vargas Llosa, Gore Vidal, João Guimarães Rosa, Moacyr Scliar. 

À direção do veículo alugado que roda das 7h às 20h atendendo a solicitações por aplicativo de transporte está o professor de inglês Celso Camargo, 60 anos, de Porto Alegre. Leitor insaciável desde a infância, ele protagoniza o que pode parecer loucura para amantes das letras: está doando milhares de títulos da biblioteca do pai, herdada há 20 anos, e da sua própria. Os volumes estufam uma sacola, presa ao encosto, reabastecida todos os dias.


— Ih, alguém esqueceu — repetem os usuários ao entrar.

— Não! Estou distribuindo — esclarece Celso.

O apreço pela leitura foi estimulado em duas frentes. Em casa, Sérgio Garcez Mancio, que trabalhou com fundos de investimento, devorava de tudo — completava palavras-cruzadas com auxílio do dicionário — e oferecia variedade à família. Sexta-feira era dia de a gurizada ganhar revistas e livros na residência onde se liam cinco jornais. 

Na escola, o irrequieto Celso do 1º ano do Ensino Fundamental do Inácio Montanha ficou contente quando a professora o mandou de castigo para a biblioteca. Fartou-se. Até o 4º ano, conta o motorista, já tinha percorrido todo o acervo do colégio. Para alcançar os volumes destinados aos alunos mais velhos, no alto das estantes, Celso improvisava degraus com livros empilhados. Marcaram-lhe as histórias de Monteiro Lobato e Erico Verissimo. 


— Me tornei um leitor tão voraz quanto o meu pai — constata. 


Com a pandemia e a interrupção das aulas particulares que ministrava, o professor teve de garantir outra fonte de renda com o aplicativo. (Não era novato no ramo: durante parte do período em que morou nos Estados Unidos, guiou uma limusine pelos caminhos estrelados de Los Angeles, na Califórnia, onde conduziu a atriz Julie Andrews.) Surgiu então a ideia de começar a se desfazer dos livros de imenso valor afetivo, numerosos demais para caber no próximo endereço — a casa onde o professor vive com a mãe, de 90 anos, está à venda. 


— Sou um educador. É parte da minha profissão disseminar o conhecimento — justifica Celso, que, ao tratar um câncer na próstata, decidiu que deveria aprender a praticar o desapego e promover a cultura. 

— Me sinto muito gratificado por cada passageiro que levou um livro e talvez tenha redescoberto o prazer da leitura.

Quando encosta o automóvel para as pessoas entrarem, Celso dá a devida explicação sobre a sacola com livros. Insiste em recitar Castro Alves: 


— Oh! Bendito o que semeia / Livros... livros à mancheia... / E manda o povo pensar! / O livro caindo n’alma / É germe — que faz a palma, / É chuva — que faz o mar.


Para seu desânimo, a maior parte não presta atenção, preferindo mergulhar no telefone celular. Mas há aqueles que finalizam a viagem encantados, deixando recados e cinco estrelas na avaliação do serviço: “Gestos como esse mudam o mundo!”, “Ótima iniciativa!”, “Nota 1000! Obrigada pela atenção, gentileza e educação!”, “Tive uma conversa inspiradora”, “Simplesmente o melhor motorista que já peguei. Ótimo papo, ganhei livro, tinha brownies… Foi demais”.

Sobre os brownies: para reforçar o orçamento, Celso vende os doces que ele mesmo produz. 


— Tenho balinhas também — emenda, orgulhoso da boa impressão que causa na repórter. 

Celso começou distribuindo clássicos guardados nas prateleiras da biblioteca da casa na Vila Assunção, na zona sul da Capital. Em sete meses, já passou adiante cerca de 600 títulos. Restam em torno de 5 mil. É a minoria que aceita os presentes, lamenta Celso, e muitos usuários os levam apenas porque são grátis. 

Há os intocáveis, dos quais o bibliófilo não vai se separar. Entre eles estão Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, Cem Anos de Solidão, de García Márquez, À Paz Perpétua, de Immanuel Kant, e uma coleção de Erico Verissimo. Repousam em sua cabeceira, “não vão para ninguém”. Até aqui, Celso deixa transparecer grande satisfação com a empreitada, apesar de alguns momentos difíceis:

— Me separei do Galeano com dor no coração, mas o povo precisa ler. 



Fonte: diariogaucho.clicrbs

segunda-feira, 26 de outubro de 2020

Ciência

  3º Bimestre - Turma 901


Como o aquecimento global levou a uma corrida de arqueólogos por tesouros antes congelados

À medida que a temperatura global aumenta, artefatos pré-históricos preservados no gelo das montanhas estão derretendo e se deteriorando.



Acordei no meio da noite com cristais de gelo caindo no meu rosto. De dentro da barraca, em meio às cobertas, ouvi um ruído distante que parecia ser de um animal farejando.

Ainda atordoado, abri o zíper do saco de dormir e sentei. Comecei a prestar atenção nos barulhos lá fora, sem tirar o olho da lata de spray para espantar ursos que estava na minha frente.
 
Ouvi as corredeiras de um riacho próximo e o relinchar de um de nossos cavalos, que pastava nos arredores do Parque Nacional de Yellowstone. Até que escutei o barulho de gravetos quebrando, à medida que alguém – ou algo – se aproximava.

Abri a barraca, me deparei com a névoa branca que cobria a pradaria e, logo em seguida, avistei as pegadas frescas de um lobo no chão, a poucos centímetros de onde eu estava dormindo.

Uma colega que estava junto à fogueira contou que um grupo de quatro lobos passou cheirando a minha barraca.


"Eram apenas as montanhas dizendo bom dia", acrescentou ela, colocando a chaleira de volta na brasa.

"Depois de uma visita como essa, teremos um dia extraordinário."

Em 15 anos trabalhando com cientistas nas Montanhas Rochosas dos EUA, fiquei cara a cara com ursos pardos, escapei de incêndios florestais, cruzei rios transbordando a cavalo e descobri aldeias pré-históricas. Mas nunca pensei na visita de um lobo como uma bênção.

No entanto, à medida que a luz avermelhada do sol iluminava as cordilheiras acima da gente, eu olhei para os campos cobertos de neve e me perguntei que histórias as montanhas nos revelariam hoje.

Como arqueólogo das montanhas, estudo como culturas passadas viviam em grandes altitudes e ambientes cobertos de neve acima da chamada linha das árvores - altitude máxima onde a vegetação consegue crescer. Os turistas geralmente descrevem os penhascos e desfiladeiros congelados da paisagem alpina como hostis e assustadores.

Mas, por ter sido criado aos pés da Cordilheira Teton, no Wyoming, bem no coração das Montanhas Rochosas, sempre me senti em casa aqui. Na verdade, a 3 mil metros de altura é onde me sinto mais vivo.



No entanto, só quando comecei a explorar meu quintal com um olhar diferente que percebi que as montanhas escondem muitas histórias que conectam o homem à natureza.

'Hostis demais'


Quando era adolescente, passava os verões guiando montanhistas por todo o Wyoming. E, durante um passeio à Cordilheira Wind River, encontrei uma ponta de flecha perto das nossas barracas. A ideia de que 2 mil anos antes outra pessoa havia acampado no mesmo local, me fez pensar em por que as montanhas sempre atraíram a humanidade.

Quando comecei a faculdade naquele outono, tentei pesquisar sobre a história das montanhas de Wyoming, mas só consegui encontrar uma referência em uma revista arqueológica antiga: "a região montanhosa era hostil demais para abrigar povos pré-históricos".

Vários meses depois, fiquei sabendo que um arqueólogo de Wyoming chamado Richard Adams tinha acabado de descobrir uma aldeia pré-histórica inteira a apenas alguns quilômetros de onde eu encontrara a ponta da flecha. Entrei em contato com ele, e fui convidado a participar do projeto de escavação da aldeia.

Adams me ensinou que as montanhas guardavam segredos antigos à espera de serem revelados. Decidi então trocar minha corda de escalada por uma espátula, e comecei uma nova e emocionante carreira em busca daquele passado misterioso.


Hoje eu gerencio projetos nas montanhas da América do Norte – de escavações arqueológicas a pesquisas por satélite para localizar aldeias pré-históricas. Uma aventura fascinante. E, às vezes, custo a acreditar que tudo começou com uma descoberta casual aos 17 anos de idade.

Como muitos arqueólogos consideraram por muito tempo as regiões montanhosas hostis demais para abrigar povos antigos, a maioria das cordilheiras permanece imensamente inexplorada.

No entanto, para aqueles que começaram a trabalhar entre os picos mais altos do mundo, as altitudes elevadas são terras desconhecidas apaixonantes que estão apenas começando a ser compreendidas.

No verão, meus colegas e eu caminhamos até as profundezas das Montanhas Rochosas, dos picos gelados da Cordilheira de Wyoming até as altas planícies do Colorado. Estávamos em busca de aldeias desconhecidas, aparatos de caça, pedreiras e outras evidências de vida desde aproximadamente 13.000 a.C. (quando acredita-se que o homem tenha chegado pela primeira vez à América do Norte) até hoje.


Mas, diferentemente da arqueologia de uma maneira geral, há algo peculiar no nosso trabalho: as pistas que encontramos nem sempre estão enterradas no solo; às vezes, elas estão congeladas, presas debaixo do gelo.

Nas cadeias de montanha ao redor do mundo, os povos antigos usavam os campos cobertos de neve, as geleiras e as placas de gelo para caçar, armazenar alimentos e servir como pontes em terrenos inacessíveis. Assim como os montanhistas de hoje, esses andarilhos antigos de vez em quando deixavam cair itens pessoais que, com o passar do tempo, ficaram presos e preservados no gelo.
 



Enquanto descobrimos muitos artefatos pré-históricos de pedra, e não biodegradáveis, nossas descobertas mais fascinantes são os chamados "artefatos de placas de gelo", como flechas de madeira, couro e outros materiais orgânicos que teriam entrado em decomposição se não tivessem sido enterrados em um freezer natural.

Esses artefatos incrivelmente raros oferecem pistas inestimáveis sobre diversos aspectos – de padrões de migração nos primórdios da humanidade à culinária pré-histórica, além de indicar como o ambiente e o clima mudaram ao longo de milênios.

Mas, embora haja tanta informação científica retida nas camadas de gelo, elas correm o risco iminente de desaparecer para sempre


Corrida contra o tempo

À medida que as temperaturas globais aumentam, o gelo das montanhas está derretendo a um ritmo sem precedentes, e esses artefatos perecíveis que permaneceram preservados por milhares de anos estão descongelando e se desintegrando rapidamente.


Portanto, procurar relíquias em placas de gelo não é apenas algo emocionante – mas uma verdadeira corrida contra o tempo.


Em 2007, Craig Lee, da Universidade Estadual de Montana, nos EUA, descobriu uma vara de formato estranho em um pedaço de gelo que estava derretendo a 3.200 metros de altura no norte de Wyoming.

Após uma análise mais detalhada, ele percebeu que a vareta era, na verdade, o dardo de uma lança feita há 10.300 anos. Até o momento, é o artefato congelado mais antigo já encontrado no mundo.

A descoberta inesperada de Lee ressaltou a urgência de salvar esses artefatos do degelo – e levou a uma corrida nas Montanhas Rochosas para resgatá-los.

À medida que mais arqueólogos se aventuraram na tundra alpina americana na última década, uma série de artefatos foram descobertos – de flechas de 1.300 anos a cestas trançadas de vime e arcos de madeira, revelando descobertas surpreendentes.

A análise da madeira mostrou, por exemplo, que grupos pré-históricos preferiam certas espécies de árvores para fazer suas flechas; o pólen congelado ofereceu dados paleoclimáticos detalhados, indicando que a linha das árvores costumava ser muito mais alta; e sementes de dejetos descongelados mostraram que, diferentemente de hoje, o bisão americano vivia a mais de 3 mil metros de altura.


Um mundo de novas descobertas se abriu, mas essa janela não permanecerá aberta para sempre. Dado o grande número de placas de gelo e sua localização remota, nunca conseguiremos alcançá-las a tempo.


Numa época em que computadores e satélites substituíram machetes e capacetes, muitos exploradores lamentam que a era dos descobrimentos tenha terminado. No entanto, nossas expedições reproduziram as práticas de muitos povos que viveram nos primórdios da América do Norte.

Como nos aventuramos nas profundezas das montanhas de um dos lugares mais remotos dos EUA, precisamos usar cavalos para transportar equipamentos e alimentos pelas encostas.

Montamos acampamentos selvagens com vista para lagos azul-turquesa, colhemos plantas comestíveis de prados próximos, assamos na fogueira carne de caça fresca, como alces ou carneiros selvagens, e dormimos sob as estrelas. De muitas maneiras seguir os mesmos passos dos povos antigos que estamos estudando nos ajuda a entendê-los melhor.

Nunca se sabe que pedaços de gelo podem revelar itens pré-históricos, por isso passamos os dias caminhando pela montanha e explorando a cordilheira em busca de pistas. Quando avistamos artefatos ou ossos de animais protuberantes em meio ao degelo no verão, os extraímos com cuidado e envolvemos com gaze e plástico para protegê-los na viagem de volta a cavalo.

No laboratório, fotografamos, fazemos datação por radiocarbono e identificamos cada artefato antes de congelá-lo novamente em um repositório de museu ou universidade.

A emoção de descobrir uma tigela de pedra pré-histórica ou uma ponta de lança de 8.000 anos em campo é sempre emocionante. Mas é no laboratório que podemos conhecer as fascinantes histórias por trás desses artefatos – como as refeições que foram preparadas nesses recipientes e para onde os povos antigos viajavam em busca das pedras que usariam como arma.

Apesar das incontáveis bolhas no pé, noites geladas e hordas de mosquitos, sou grato por chamar as montanhas de meu escritório. Toda vez que encontro algum artefato à beira do gelo, lembro da minha pequena participação na preservação das montanhas e da história da humanidade.

Quando era um jovem alpinista, passei infinitos dias explorando os picos das Montanhas Teton e, naquela época, diria a você que sabia tudo sobre elas. Mas, nos últimos 15 anos, aprendi que não importa se você está em um ambiente familiar ou desconhecido, sempre haverá algo mais a ser descoberto.

Em todos os cantos do mundo, há uma nova e fascinante história à espera de ser contada.



Fonte: G1

Política

  3º Bimestre - Turma 901


Justiça Eleitoral indefere mais de 10 mil candidaturas

Falta de documentos é o principal motivo das impugnações; Ficha Limpa, o segundo. Especialista em direito eleitoral considera que muitos candidatos ainda poderão concorrer após recorrer em segunda instância.


Com a maior parte dos pedidos de registro de candidaturas julgados pela Justiça Eleitoral até esta segunda-feira (26), mais de 10 mil postulantes ao cargo de vereador, prefeito e vice-prefeito em todo o Brasil tiveram a candidatura indeferida.

Se forem somados os falecimentos e as renúncias, o número de candidatos inaptos supera os 16,5 mil. A maior parte, no entanto, cerca de 10,6 mil casos, é formada por candidatos que não poderão concorrer porque não atenderam a algum requisito legal.

Os candidatos inaptos representam cerca de 2,9% do total de casos analisados, um percentual, por enquanto, menor que o registrado em 2016 (3,4%). O prazo final para a conclusão dos julgamentos termina nesta segunda. Mas 112 mil pedidos ainda aguardam parecer da Justiça Eleitoral.




Pelos dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o principal motivo das cassações ou indeferimentos é a “ausência de requisito de registro”, com 75,9%. Como uma única candidatura pode ser barrada por mais de um motivo, o número total supera o de candidatos indeferidos.




Efeitos da Ficha Limpa


A segunda principal razão para rejeição dos pedidos de registro é a Lei da Ficha Limpa, com 11,2%. Segundo a lei, políticos condenados por abuso de poder político e econômico ficam inelegíveis por oito anos.

Advogado e professor de Direito Eleitoral, Alberto Rollo acredita que os dados dos julgamentos das candidaturas divulgados não refletem o que preconiza a legislação eleitoral. Segundo ele, a lei determina que os registros devem estar julgados em primeira e segunda instância eleitoral até 20 dias antes do dia da votação, ou seja, muitos julgamentos ainda estão pendentes.





“Isso quer dizer que, até esta segunda-feira, os pedidos de registro das candidaturas deveriam ter sido julgados, inclusive, pelos tribunais regionais, porque há muitos casos com recurso. Acredito que esses dados refletem mais os julgamentos da primeira instância. Estamos vendo, na verdade, o que o ministro Barroso já havia alertado lá atrás, de que o tempo era muito curto para que a Justiça Eleitoral analisasse todos os pedidos”, afirma Rollo.

Na avaliação do professor, mesmo que quase 80% dos casos tivessem sido analisados em primeira e segunda instância, há ainda cerca de 112 mil candidaturas sem ser julgadas, segundo o site do TSE. Por lei, esses candidatos poderão concorrer até que a Justiça decida sobre a validade dos registros.

Para Alberto Rollo, a proporção de 11% de indeferimentos por conta da Lei da Ficha Limpa pode ser considerada baixa. O professor avalia que o percentual deve cair um pouco mais, com os recursos que deverão ser apresentados. A ausência de requisito de registro, principal motivo de cassação ou indeferimentos das candidaturas, segundo Rollo, pode estar associada também às dificuldades geradas pela pandemia.

“Muitos dos documentos que o candidato precisa levantar para apresentar à Justiça Eleitoral só existem no formato físico, são milhões de documentos, que precisam ser buscados um a um. Por outro lado, há muitos tribunais que fizeram home office durante a pandemia, o que limitou muito o trabalho de pesquisa. Então é provável que muitos casos sejam ausência desses documentos”, lembra Rollo.


Partidos pequenos se destacam


A distribuição das candidaturas inaptas, sem considerar os falecimentos e as renúncias, mostra que os partidos pequenos se destacam. O G1 calculou a proporção de inaptos em relação ao total de candidaturas lançadas por cada legenda. Pela ordem, partidos como PCO, PSTU, PCB, PMB e DC apresentam percentuais maiores que a média de 1,9%.

Na outra ponta, os partidos com menores percentuais de candidaturas impugnadas foram Novo, PP, DEM, PSD e MDB. Professor de ciência política e coordenador do Laboratório de Partidos e Sistemas Partidários da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Bruno Bolognesi acredita que essa distribuição reflete o grau de profissionalização dos grandes partidos e das condições para montar estruturas nos estados e municípios.

“A primeira hipótese para essa distribuição é de fato o nível de profissionalização e expertise eleitoral. Partidos grandes ou com boas estruturas, como o Novo, por exemplo, normalmente contam com um corpo técnico robusto em campanhas, com advogados, contadores, publicitários. Já partidos pequenos normalmente são reféns de assessores do 'dono' do partido e que vivem de relações clientelísticas dentro da legenda, com parca experiência na burocracia estatal, por exemplo, que pode ajudar a formar know-how para disputa eleitoral, principalmente no aspecto formal das exigências”, observa Bolognesi.

O professor da UFPR chama a atenção também para o perfil ideológico das legendas que apresentam os maiores percentuais de candidaturas impugnadas. Para Bolognesi, alguns partidos estão mais preocupados com a propaganda ideológica, e menos com a disputa eleitoral de fato.

“Há uma questão do partido antissistema. Ainda que estes partidos estejam disputando eleições, eles não estão necessariamente preocupados em ganhar votos, como é o caso dos partidos de extrema esquerda. Então a relação com a eleição é muito mais doutrinária do que eleitoral, de modo que não há uma preocupação com a viabilidade do candidato, mas sim em fazer propaganda ideológica para a legenda”, observa Bolognesi.



Fonte: G1