sexta-feira, 17 de abril de 2020

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1º Bimestre - Turma 901


Valorant | Jogadores expressam preocupação com anti-cheat do game

Desenvolvedor explica por que o anti-cheat é iniciado com o computador


Valorant | Jogadores expressam preocupação com anti-cheat do game



O sistema anti-cheat de Valorant, novo jogo de tiro tático da Riot Games, está dividindo opiniões entre os jogadores do game.

Um dos componentes do Vanguard, sistema anti-cheat do jogo, é iniciado juntamente com o Windows e continua funcionando mesmo quando o usuário não está jogando. Outro detalhe importante é que o driver em questão tem o mesmo nível de permissões de um administrador do sistema — ou seja, pode acessar arquivos e fazer mudanças sem o conhecimento do usuário.

Paul Chamberlain, com quem conversamos quando fomos à sede da Riot Games para testar o jogo , explicou em um comentário no Reddit que essa medida é necessária para evitar cheats que sejam ativados antes do sistema de proteção começar a funcionar, e o driver em questão pode ser desinstalado a qualquer momento — ele só precisa estar rodando quando você for jogar. Além disso, Chamberlain garante que o driver não envia dados para a Riot a menos que o jogo esteja ligado.

Usuários do Reddit expressaram preocupação quanto ao fato do driver estar sempre funcionando, ainda que inativo. Em caso de vulnerabilidade, os computadores de todos os jogadores de Valorant podem ficar expostos à hackers ou softwares maliciosos. Há também a possibilidade de que o anti-cheat interaja com outros jogos, ou até mesmo que interfira no desempenho do computador, embora Chamberlain afirme que o Vanguard foi desenvolvido com a preocupação de minimizar esse impacto.

O desenvolvedor garantiu que o driver foi testado por múltiplas equipes externas e que só é ativado em último caso, deixando “o componente não-driver fazer a maior parte do trabalho”, mas prometeu que as ferramentas de segurança serão mudadas caso causem mais problemas do que benefícios.



Fonte: jovemnerd

Educação

1º Bimestre - Turma 901



Menino italiano percorre 1,5km para encontrar sinal de internet e estudar
Giulio Giovanni, de 12 anos, leva mesa, tablet e material escolar até campo e monta sala de estudos sob uma árvore. Mãe diz que está processando companhia telefônica porque linha fixa não funciona há meses e não há sinal de internet perto de sua casa.

Giulio Giovannini, de 12 anos, é obrigado a ir até o campo, a 1,5 km de sua casa, para conseguir acessar internet e estudar, em Scansano, na Itália — Foto: Reuters/Jennifer Lorenzini




O local de estudo de Giulio Giovanni, de 12 anos, tem uma vista que muitas pessoas invejariam: um campo imaculado de colinas ondulantes, vinhedos e olivais sob o sol da Toscana.

Ele preferiria assistir aulas pela internet em casa, como seus colegas estudantes têm que fazer por causa do isolamento do coronavírus na Itália, mas o cenário bucólico sob uma árvore a 1,5 quilômetro de distância é o mais próximo com sinal.


 Giulio Giovannini, de 12 anos, é obrigado a ir até o campo, a 1,5 km de sua casa, para conseguir acessar internet e estudar, em Scansano, na Itália — Foto: Reuters/Jennifer Lorenzini



"Nos dias em que tenho lição, trago de casa uma mesa, um banco e minha sacola com o tablet e todos os livros que preciso e minha mãe e eu vimos para cá de carro", disse Giulio nesta quarta-feira (15), que por sorte estava ensolarada e com uma brisa suave.


 Giulio Giovannini, de 12 anos, é obrigado a ir até o campo, a 1,5 km de sua casa, para conseguir acessar internet e estudar, em Scansano, na Itália — Foto:  Reuters/Jennifer Lorenzini



Sua mãe o leva ao local nos arredores da pequena cidade toscana de Scansano todos os dias porque o telefone fixo não funciona há meses e não há sinal de celular na área.

"Então, para participar das aulas, temos que vir aqui, onde podemos ao menos pegar internet", disse ela, explicando que usa o celular como ponto de acesso móvel.

"Montamos tudo e estamos prontos para nossas lições", disse Giulio.

"Prefiro estar na escola, porque ao menos lá estou entre amigos. Aqui só os vejo pela tela. Ao menos lá eu os veria em pessoa."


 Giulio Giovannini, de 12 anos, é obrigado a ir até o campo, a 1,5 km de sua casa, para conseguir acessar internet e estudar, em Scansano, na Itália — Foto:  Reuters/Jennifer Lorenzini  



Sua mãe disse que está processando a empresa telefônica por estar demorando tanto para consertar a linha doméstica.

Até lá, ela continuará a levar Giulio ao local, onde, enquanto outros poderiam ficar tentados a desfrutar dos esplendores naturais, ele aciona o aplicativo "sala de aula" de seu tablet e inicia seu dia letivo.



Fonte: g1

Cultura


1º Bimestre - Turma 901

Em tempos de coronavírus, a arte ficou a um clique de distância
Há ao menos esse lado bom na pandemia: musicais da Broadway e outras atrações proibitivas para parte do público agora estão disponíveis de graça online




Para vibrar com O Fantasma da Ópera ou Hamilton no coração da Big Apple, é preciso ter “bala na agulha” – com ingressos salgados, viagem caríssima e o dólar nas alturas, a atração é um sonho distante para a maioria dos brasileiros. Ironicamente, graças à pandemia de coronavirus que parou Nova York e fechou todos os cinemas e teatros da cidade, o que antes era distante está agora a um clique de muita gente.

Andrew Lloyd Webber, o lendário compositor dos multipremiados O Fantasma da Ópera e O Mágico de Oz, irá disponibilizar semanalmente e de forma gratuita uma de suas produções pelo canal The Show Must Go On, no YouTube. A primeira a chegar ao público é Joseph and the Amazing Technicolor Dreamcoat, produção do ano 2000 que ficará disponível por 48 horas, a partir de hoje. Na tentativa de atenuar o sofrimento da quarentena, a plataforma de streaming Broadway HD também liberou o seu catálogo gratuitamente por 7 dias para aqueles que se cadastrarem no site.

No Brasil, o YouTube é usado pelos roteiristas Charles Möeller e Claudio Botelho para disponibilizar peças online. O Grupo Galpão e a Cia dos Autores também aderiu à iniciativa, assim como muitos outros autores e companhias que levaram o teatro ao público em tempos de quarentena. Há de se lembrar que a ida ao teatro não é um hábito cotidiano para o brasileiro. Segundo uma pesquisa divulgada pelo SESC em 2014, 61% da população do país nunca tinham assistido a uma peça de teatro até aquele ano. Apesar da oferta de sessões populares, é provável que o custo dos ingressos seja um dos motivos para isso. A ironia, portanto, reside no fato de o fechamento dos teatros, no Brasil ou na Broadway, tê-los tornado mais acessíveis do que quando estavam todos de portas abertas. Se as pessoas não podem ir ao espetáculo, o espetáculo tratou de ir até elas – inclusive àquelas que não estariam tradicionalmente sentadas nas cadeiras.

Segundo um censo realizado pela Abrape (Associação Brasileira de Promotores de Eventos), 92% dos associados relataram prejuízos que somam R$ 290 milhões apenas com cancelamentos de shows e eventos como os musicais, com estimativa de bater a casa dos bilhões levando em conta toda a cadeia produtiva do setor. Apesar disso, há de se reconhecer que o coronavírus instaurou também uma solidariedade admirável no mundo, em especial na cultura.

No Instagram, artistas concorridos como os sertanejos Gustavo Lima e a dupla Jorge e Matheus, que costumam cobrar altas cifras por seus shows super produzidos, levaram música para a sala de casa com lives no instagram. E até a tradicional e aristocrática música erudita teve de se curvar à excepcionalidade do momento – de portas fechadas, todas as terças e quintas-feiras, até o dia 16 de junho, a OSESP disponibiliza na página do YouTube da Sala São Paulo concertos marcantes de sua história, acessíveis a quem desejar. Se fossem pagar por todos os shows e atrações disponíveis gratuitamente nas últimas semanas, muita gente acabaria sem salário, ou nunca teria acesso a tudo isso. É possível extrair algo de positivo do drama do coronavírus.



Fonte: veja.abril

Saúde e Bem Estar

1º Bimestre - Turma 901

Coronavírus atinge marca de 1,5 milhão de infectados em todo o mundo

Mais de 88,7 mil pessoas morreram e mais 337 mil se recuperaram da Covid-19.



Equipe médica transportam corpo de contêiner refrigerado no bairro do Brooklin, em Nova York (EUA), na quarta-feira (8)  — Foto: Mary Altaffer/AP



O mundo atingiu nesta quinta-feira (9) a marca de 1,5 milhão de pessoas infectadas com o novo coronavírus (Sars-Cov-2), segundo balanço da Universidade norte-americana Johns Hopkins. Mais de 88,7 mil pessoas morreram e mais 337 mil se recuperaram da Covid-19.

Os Estados Unidos são o país com mais casos confirmados da doença. Até o momento, o país registrou mais de 432 mil pessoas infectadas e 14,8 mil mortes. Por dois dias consecutivos, os EUA tiveram quase duas mil mortes em um prazo de apenas 24 horas.


O segundo país com o maior número de infectados é a Espanha, com mais de 150 mil casos. Mais de 15 mil morreram e 52 mil já se recuperaram. O governo pretende estender as medidas de isolamento no país até 26 de abril.


Isolamento


A rápida propagação do vírus, que surgiu no fim de 2019 em Wuhan, na China, fez com que quase 100 países ou territórios forçassem mais de 4 bilhões de pessoas a permanecerem em isolamento, segundo balando da agência France Presse divulgado na terça-feira (7).

Esse número representa mais da metade (cerca de 52%) da população mundial, estimada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 7,79 bilhões de pessoas em 2020.

Nenhuma região do mundo está isenta. No entanto, as regras de isolamento social variam de país para país. Elas têm por objetivo diminuir o tempo de transmissão do vírus de pessoa a pessoa, dando aos governos tempo para equipar e fortalecer seus sistemas de saúde com equipamentos, expansão de leitos, construção de hospitais e contratação de profissionais de saúde.

Na maioria dos países, ainda é possível deixar sua casa para trabalhar, comprar itens básicos ou cuidar da saúde.


Fonte: g1


quinta-feira, 9 de abril de 2020

Ética e Cidadania

1º Bimestre - Turma 901


Comerciante cria 'mesa solidária' para doar alimentos em meio a epidemia de coronavírus em SP

Ação que disponibiliza alimentos gratuitos começou na sexta-feira (20). Moradores ajudam com doações de itens.


Mesa cheia de alimentos gratuitos em frente a mercado de Praia Grande (SP) — Foto: Arquivo Pessoal



Com uma mesa repleta de alimentos gratuitos e uma placa com os dizeres “Vamos Vencer”, um comerciante decidiu ajudar e incentivar compradores a deixarem produtos para pessoas carentes em frente ao seu supermercado em Praia Grande, no litoral de São Paulo, na manhã desta sexta-feira (19).

Por conta da pandemia de coronavírus, o comerciante Vinícius Morgado, de 32 anos, relatou ao G1, neste sábado (20), que percebeu a dificuldade de famílias que precisam do alimento, inclusive de mães que estão com os filhos sem ir às escolas. “Tive a ideia de ajudar com a mesa cheia e colocar a placa para incentivar quem passa por aqui a deixar sua doação, para criar uma corrente de ajuda”, comenta.

A placa com os dizeres “Se você não tem, pegue consciente!” e “Caso queira, deixe aqui sua doação”, fez sucesso entre moradores da cidade, que aderiram a campanha e levaram produtos até o local. A placa também esclarece que o alimento não precisa ser do supermercado deles, pode ser de casa ou de outro mercado das redondezas.


Placa fica em mesa na frente do estabelecimento — Foto: Arquivo Pessoal




“Não importa o local que eles comprem, o que interessa é fazer parte disso. Não estou no mundo para fazer peso, a gente precisa entender a dor do próximo e pensar em formas de ajudar". declara Morgado.



O proprietário conta que deixou a mesa disponível às 7h. Com macarrão, batatas, óleo, farinha e outros alimentos diversos, moradores da região passavam pelo local e buscavam o que precisavam. "As pessoas pegam com consciência, separando aquilo que precisam", comenta.

Alguns moradores da região se envolveram, ajudando com mais doações. O proprietário explicou que a primeira mesa foi feita com doações do mercado, mas a intenção é que ela fique completa com as doações de quem passa pelo local. Ele comenta que a iniciativa vai continuar e a mesa vai permanecer em frente ao mercado.

De acordo com Morgado, o momento é de crise, mas ele acredita que ações como essa não prejudicam nem as pessoas nem o comércio dele, que é recente na região. "Quando você pensa em negócio, você pensa em financeiro, mas quando você pensa em vida, o que interessa é algo muito maior", finaliza o proprietário do mercado.


Vinícius montou a mesa na frente do comércio em Praia Grande (SP) — Foto: Arquivo Pessoal




Fonte: g1

Ciências

1º Bimestre - Turma 901

Do nipah ao coronavírus: destruição da natureza expõe ser humano a doenças do mundo animal

Cientistas apontam que mudanças climáticas e ações humanas como o desmatamento provocam expulsão de animais de seu habitat e força contato com bichos de outras espécies, criando condições para “pulo” de patógenos entre eles.


Alta densidade de humanos em cidades e degradação de habitat de animais provocam a emergência de mais epidemias — Foto: Getty Images via BBC



Em 1998, morcegos na Malásia começaram a migrar em busca de alimento. Desmatamento na região para abrir espaço para agricultura e pecuária havia eliminado suas fontes de comida.

Estabeleceram-se em uma nova região onde havia produção de mangas ao lado de criações de porcos e passaram a se alimentar das frutas. Parcialmente comidas, elas caíam em cima dos porcos, que as comiam também.

Vírus carregados por morcegos muitas vezes não causam doenças neles. Em outros animais, contudo, esses vírus podem causar patologias graves.

E foi assim que um vírus saiu do morcego, pulou para porcos, onde passou por uma mutação que o deixou mais perigoso para seres humanos. Depois, espalhou entre os porcos, vendidos entre fazendeiros, e finalmente pulou para pessoas.


Chamado de "vírus Nipah", por causa de um vilarejo na Malásia, desde 1998 este vírus já infectou centenas de pessoas na Malásia, Singapura, Bangladesh e Índia, com alta taxa de letalidade.

um exemplo de como a interferência do ser humano no meio-ambiente dá meia-volta e nos devolve doenças infecciosas, algo que cientistas apontam ser um problema recorrente e cada vez maior.


Coronavírus


O mercado de frutos do mar de Wuhan Huanan, onde se suspeita que a nova cepa de coronavírus teria começado a se espalhar. O estabelecimento está fechado desde 21 de janeiro de 2020 — Foto: Dake Kang/AP



Ainda não há conclusões sobre como o novo coronavírus pulou de animais para seres humanos. Uma das hipóteses é que tenha sido em um mercado de alimentos em Wuhan , na China, o que fez com que muitos defendessem o fechamento de mercados do tipo, com venda de animais vivos e silvestres. Há outras hipóteses correntes.


"Nós estamos negligenciando o cenário maior", diz à BBC News Brasil o ecologista especializado em doenças Richard Ostfeld, do Cary Institute of Ecosystem Studies, nos Estados Unidos


"Tivemos alguns exemplos de surgimento de doenças nesses mercados com animais selvagens, como a Sars. E é importante entender que essas atividades humanas de agrupamentos estranhos de espécies que nunca ocorrem juntas na natureza influenciam esses eventos. Mas há outras maneiras pelas quais nossas atividades humanas podem facilitar o surgimento ou transmissão de doenças, como o desmatamento, a abertura de terra para agricultura, entre outros. Isso não pode ser esquecido."


Como isso acontece?


Imagem de microscópico mostra o novo coronavírus, responsável pela doença chamada Covid-19 — Foto: NIAID-RML/AP




Bom, vamos voltar ao começo de tudo. Esta doença com que estamos lidando agora é uma zoonose, uma doença infecciosa transmitida de animais para seres humanos.

Isso pode acontecer diretamente, quando um vírus "pula" de uma espécie para outra - no chamado efeito "spillover" (transbordamento) -, ou então por meio de um animal intermediário.

É bastante provável que os animais hospedeiros, que originalmente carregavam este novo coronavírus, tenham sido os morcegos. Não sabemos se houve animal intermediário ou não.

Os morcegos também foram os hospedeiros originais de outros vírus que causaram doenças em seres humanos nos últimos anos, como a Sars, o Ebola, a Mers e o vírus Nipah.

"O efeito 'spillover' [de transbordamento] requer duas coisas: primeiro, exposição. O morcego, por exemplo, solta um pedaço de fruta que já mordeu. Deixa ali sua saliva com o vírus, e outro animal come essa fruta. A segunda coisa é a capacidade do patógeno (organismo capaz de produzir doenças infecciosas a seus hospedeiros) de persistir no sistema da nova espécie. É preciso haver exposição e compatibilidade", explica à BBC News Brasil o ecologista especializado em doenças Thomas Gillespie, da Emory University, dos EUA.

Quando estávamos no processo de domesticar animais, há milhares de anos, também nos expusemos a novos patógenos, explica ele. O sarampo, por exemplo, veio da interação dos humanos com rebanhos de gado. A tuberculose, por sua vez, já foi transmitida por meio do leite não pasteurizado de vacas.

Agora, estamos entrando mais em contato com patógenos de animais silvestres quando alteramos seu habitat, e em um contexto pior para nós: a densidade populacional dos seres humanos é muito mais alta, e estamos muito mais conectados, o que favorece o espalhamento da doença.



Nosso papel

Quando destruímos uma floresta para abrir terras para agricultura ou pasto para pecuária, quando fazemos mineração, construímos barragens ou derrubamos árvores, eliminamos a biodiversidade ao tirar o espaço de alguns animais e criar condições para a proliferação de outros, segundo Ostfeld, do Cary Institute of Ecosystem Studies.

Acontece o seguinte: espécies maiores e mais carnívoras e predatórias que normalmente estão na região em menor densidade, precisam de mais espaço e são sensíveis a terem seus habitats diminuídos e removidos, deixam uma região quando os seres humanos interferem com suas construções, quaisquer que sejam.

Então, populações de animais menores, pragas que prosperam quando o habitat é degradado e quando animais maiores e predatórios vão embora, proliferam na região, atingindo altas densidades. São espécies como alguns tipos de morcegos, ratos e ratazanas, por exemplo, alguns dos mais relevantes para o pulo de doenças entre espécies.


"São os roedores e morcegos que ocupam nossas casas, moradias, fazendas. Eles tendem a hospedar mais patógenos danosos e a tirar vantagem dos habitats que destruímos e os que artificialmente criamos", diz Ostfeld.


Além disso, observa a ecologista Felicia Keesing, do Bard College, no Estado de Nova York, não só convertemos habitats selvagens em áreas para agricultura para criar animais domesticados, erodindo a biodiversidade, como também criamos uma situação de alta densidade populacional de um animal domesticado e o colocamos ao lado das espécies com maior número de patógenos. Como aconteceu com os morcegos e os porcos na Malásia, por exemplo.

Aaron Bernstein, do Centro para Clima, Saúde e Meio-Ambiente da Universidade de Harvard, propõe o seguinte cenário: "Imagine que alguém chega do exterior para o Brasil e essa pessoa está com uma tosse, febre, um ferimento esquisito. Você isola essa pessoa e lhe dá o melhor tratamento médico, certo?"

"Pois bem, veja o que estamos fazendo na Terra: estamos drasticamente reduzindo o habitat para as espécies, fazendo com que seja fácil que elas se espalhem. Estamos fazendo o contrário que faríamos com uma pessoa doente: um animal que pode estar carregando um patógeno está sendo forçado a conviver com outros, aumentando a presença de patógenos em populações selvagens e aproximando essas populações aos humanos", diz ele à BBC News Brasil.

Keesing aponta outra maneira pela qual a ação humana contribui para o surgimento de doenças. "Alguns fazendeiros dão antibióticos para os animais que criam, uma medida para eliminar bactérias que possam afetá-los. Ao fazer isso, estamos criando uma seleção natural, selecionando as bactérias mais fortes que vão prosperar no animal e ter muitos outros animais para onde se espalhar, por causa da alta densidade", explica ela. "E, assim, essas bactérias bastante fortes podem pular para nós."

Questionado sobre o papel da agropecuária na emergência de doenças, o especialista em comércio internacional e coordenador do Insper Agro Global, Marcos Jank, diz que é "exatamente o contrário".


"É a agricultura mais moderna, com controle sanitário, alimentação controlada e uso de medicamentos que evitou que a gente tivesse mais pandemias."


O processo de mecanização e modernização fez aumentar a produtividade, diz ele, além de melhorar a sanidade e nutrição dos rebanhos. "A modernização agrícola foi justamente para evitar contaminações e melhorar a genética dos animais", afirma.

Sobre o desmatamento para abrir espaço para pecuária e agricultura, Jank e Janice Zanella, veterinária e chefe-geral da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) Suínos e Aves, dizem concordar que a modernização do setor deixou as terras mais produtivas, o que faz com que menos terras sejam desmatadas para abrir pasto.

Em cinco décadas, diz Zanella, o Brasil, por exemplo, teve incremento de cinco vezes na produção de grãos, com aumento de só duas vezes na área plantada. Assim, "isso diminui a pressão de desmatamento", diz Jank. "O que não quer dizer que não aconteça."


Mudanças climáticas


As mudanças climáticas, causada pelos humanos, também exercem seu papel no surgimento de novas doenças, segundo cientistas.

Gillespie exemplifica: por causa delas, muitas árvores mudaram os padrões de quando dão frutas. Isso fez com que alguns animais buscassem as mesmas árvores para se alimentar, já que não podiam contar com as árvores de antigamente.

"Imagine que morcegos, chimpanzés e gorilas procurem a mesma árvore para se alimentar, quando isso não era o normal, ou não deveria acontecer", diz ele. Podem comer da mesma fruta, trocando fluidos. "E depois, as pessoas caçam chimpanzés", diz ele - o processo é um caminho para o "pulo" de um vírus entre espécies.

"Sabemos muito pouco sobre o papel das mudanças climáticas e da redução da biodiversidade na emergência de doenças. Mas o pouco que sabemos é bastante significativo, e seria inteligente se fizéssemos todo o possível para barrar e destruição da vida na Terra e estabilizar o clima", diz Bernstein, de Harvard.


"Se mais doenças estão surgindo por causa desses fatores, não queremos esperar para ver. Já estamos atrasados."



Soluções


Se sabemos, então, que nosso comportamento pode provocar a emergência de mais doenças e, possivelmente, mais pandemias, o que devemos fazer?

"Podemos nos preparar melhor nas respostas para epidemias, comprando mais respiradores, preparando nosso sistema de saúde. Mas não estaremos solucionando a causa disso tudo", afirma Keesing. Primeiro, diz ela, é preciso regular mercados com vendas de animais selvagens e a produção de carne com alta densidade de animais.

Já que banir mercados pode levar a mercados ilegais, ela sugere criar incentivos para as pessoas fazerem as coisas de forma diferente, dentro das normas e com higiene.

O antropólogo Lyle Fearnley, da Universidade de Singapura, passou dois anos em uma região rural da China investigando a criação de animais selvagens.

Ele diz que a melhor forma é tentar reinventar a forma como esses mercados funcionam. "Fechar o mercado uma vez por semana para limpeza e exigir que espécies diferentes fiquem separadas e em locais diferentes pode diminuir as possibilidades de circulação de vírus", sugere.

Ele também aponta que há muito preconceito em relação aos mercados, chamados de "wet market" (mercado molhado), em inglês. "Não existe esse termo em mandarim. Há uma série de mercados diferentes com uma grande variedade do que é vendido. A grande maioria desses mercados não vende animais selvagens vivos ou apresenta riscos", diz.


"As pessoas têm medo e preconceito porque não conhecem essas feiras. Além disso, elas são minoritárias, então não podemos generalizar."


Keesing destaca que também "precisamos levar a conservação da biodiversidade muito mais a sério". "Muitos países preservam 11%, 12% de seus territórios. Isso não é nem perto do que precisamos de diversidade."

Gillespie, da Emory University, diz que precisamos incluir a avaliação do risco de "spillover events", os eventos que promovem o "pulo" do vírus de uma espécie para a outra, no momento de decidir sobre o uso de terra em larga escala.

"Nós não deveríamos subsidiar indústrias que provocarão resultados como esses, especialmente em áreas selvagens na região dos trópicos, onde o risco é mais elevado", afirma.


"A ciência está nos dizendo que devemos reavaliar nosso relacionamento com a natureza."



Fonte: g1