sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Cultura

4º Bimestre - Turma 801


Exposição de Leonardo da Vinci no Louvre reúne 160 obras de 11 países
Maior mostra já realizada sobre o gênio renascentista começou a ser planeja há dez anos




A mostra Leonardo da Vinci 1452-1519, realizada no Louvre, em Paris, na França, é resultado de um esforço multinacional que entrará para a história. Nunca nenhum museu havia realizado a façanha de reunir tantas obras-primas do maior e do mais famoso pintor da humanidade: 160, entre quadros, desenhos, esboços e páginas dos cadernos de Da Vinci. Trata-se de um acontecimento estupendo.

O Louvre precisou ter muita fé na generosidade humana, aliás, para transformar a exposição em realidade. A mostra começou a ser planejada há dez anos, porém até os 45 minutos do segundo tempo pairavam dúvidas sobre o empréstimo de obras. Só um artista do porte de Da Vinci seria capaz de reavivar velhas rivalidades culturais, como se deu na hora de requisitar obras de museus da terra do pintor, a Itália. A coalizão populista que governou o país até meses atrás chegou a acusar a França de querer se servir de seus tesouros “como num supermercado”. Em um primeiro momento, a Justiça italiana vetou a ida do Homem Vitruviano, desenho que sintetiza a união entre arte e ciência. Mas a decisão foi revertida: o Homem Vitruviano viajou para o Louvre.

Agora, diante do acervo extraordinário que pode ser admirado junto pela primeira vez na história, os contratempos revelam-se miudezas irrelevantes. Da Vinci legou ao mundo não mais que dezoito quadros, dos quais dez estão na mostra francesa. Proprietário de cinco pinturas e 22 desenhos do artista — em razão de Leonardo ter morado na França, servindo ao então rei Francisco I —, o Louvre tem mais cacife que qualquer outro museu para realizar um evento assim. Trabalhos de Da Vinci raramente (ou nunca) saem das coleções que os abrigam.

A emoção é poder apreciar, lado a lado, criações que talvez nem o artista tenha visto juntas — como sua Santa Ana, obra-prima do Louvre, e a belíssima Madonna Benois, pertencente ao Hermitage, de São Petersburgo.






Fonte:veja.abril



Ética e cidadania

4º Bimestre - Turma 801



Michael Jordan inaugura clínica médica gratuita para pessoas de baixa renda nos EUA

Em 2017, o jogador de basquete havia anunciado a doação de quase R$ 30 milhões para a construção de duas clínicas para atender a comunidade de Charlotte, na Carolina do Norte.


Michael Jordan discursa durante a inauguração da Novalth Health, a clínica médica financia por ele — Foto: Divulgação/Novalth Health



Foi com emoção que o jogador de basquete Michael Jordan inaugurou, nesta quinta-feira (17), a primeira de duas clínicas médicas que ele e sua família financiaram para oferecer tratamento médico a pessoas de baixa renda em Charlotte, cidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos.

"Isso é muito emocionante para mim, poder dar de volta a uma comunidade que me apoio durante os anos", afirmou Jordan, que foi hexacampeão da NBA, a liga de basquete americana, e é atualmente dono do time Hornets, durante a cerimônia de inauguração da Novant Health Jordan Family Medical Clinic.

O custo do investimento da família do jogador foi de 7 milhões de dólares (quase R$ 30 milhões), e foi anunciado em 2017.


Bairro de baixa renda

A clínica, localizada em um bairro de baixa renda em Charlotte, vai oferecer acesso vital à atenção básica e de prevenção para membros da comunidade, incluindo pessoas que não têm plano de saúde ou que têm planos de saúde considerados precários.

Durante a inauguração da primeira das duas clínicas previstas, Michael Jordam prometeu fazer mais por essa parcela da população. "Esse é apenas o início de uma batalha para podermos alcançar o maior número possível de pessoas", afirmou ele.


Perfil nas redes sociais

A clínica também inaugurou um perfil na rede social Twitter, e comemorou a abertura dos atendimentos nesta quinta.

Segundo o site oficial, pacientes de todas as idades poderão ter acesso a "serviços abrangentes", incluindo exames médicos, vacinas, laboratórios, raio-x e testes para doenças sexualmente transmissíveis.


Fonte:G1

Te contei?

4º Bimestre - Turma 801


Grupo de funcionários deixa a Blizzard após polêmica com manifestações, diz site

A empresa deu punições severas pra um jogador profissional que protestou a favor da liberdade de Hong Kong





Depois da Blizzard anunciar retaliações a Chung "Blitzchung" Ng Wai, profissional de Hearthstone, por suas manifestações políticas, uma pequeno grupo de funcionários deixou a empresa como forma de protesto, de acordo com o Daily Beast.

O jogador, que havia exclamado "Liberem Hong Kong" durante a transmissão do Hearthstone Grandmasters, teve de entregar o seu dinheiro em premiação, foi desqualificado do torneio e ainda recebeu uma suspensão de um ano sem poder participar de eventos oficiais de Hearthstone.

"A ação da Blizzard contra o jogador foi decepcionante mas não surpreendente", disse um funcionário de longa data da Blizzard ao Daily Beast. "A Blizzard ganha muito dinheiro na China, mas agora a empresa está nessa situação esquisita onde não podemos defender nossos valores".

Funcionários que permaneceram na companhia também demonstraram sua indignação: uma pequena aglomeração foi feita em torno da icônica estátua de Orc na sede da Blizzard. Grande parte dos manifestantes portava um guarda-chuva, que também é bastante usados nos protestos de Hong Kong.




A manifestação de Blitzchung vem em meio uma grande tensão entre a China e Hong Kong. O problema começou em junho, quando propostas sugeriam que habitantes da cidade poderiam ser extraditados para a China. Entretanto, Hong Kong possui certa autonomia em relação ao país, e sua população foi às ruas contra a aprovação desse projeto.


Fonte:theenemy

sábado, 19 de outubro de 2019

Educação

4º Bimestre - Turma 801



A revolução que está mudando tudo nas salas de aula
Novos colégios abrem as portas no Brasil para uma grande transformação no ensino deste século XXI — e os tradicionais se mexem para não ficar para trás



O extenuante exercício de escolher uma escola envolve esforço físico dos pais para peregrinar de uma em uma, frustração por não se identificar com a maioria e um monte de dúvidas sobre a trilha mais certeira para uma base sólida que permita ao filho alçar voo-solo na vida adulta. Prepare-se: essa árida jornada ganhou complexidade, como tudo nestes tempos modernos, extrapolando a questão clássica — vai de colégio tradicional ou construtivista? Mas isso embute uma ótima notícia: há mais opções por aí. Mesmo que muitas escolas brasileiras ainda patinem em mazelas básicas e sigam aferradas à tríade consagrada no século XIX (professor, lousa e giz), outras tantas começam a se sintonizar com o idioma desta era em que o saber enciclopédico cede lugar a uma sala de aula que ensina o aluno a se virar em meio ao desconhecido, conectar (esse é sempre o termo) disciplinas de distintas naturezas e chegar a respostas para problemas concretos. Pela potência da chacoalhada, especialistas enxergam uma revolução, e ela já causa tremores, dos bons, no Brasil.

Esqueça as carteiras tediosamente enfileiradas e o ambiente estático. Agora, até as paredes se movem para criar ora uma sala mais ampla, ora uma mais concentrada, a depender da atividade. As escolas em busca dos ares do século XXI estão rompendo com o antigo desenho, que não dá espaço a um princípio que lá atrás, em 1897, o pedagogo americano John Dewey já enunciava em seu livro My Pedagogic Creed: Learning by Doing — a criança aprende fazendo, experimentando, e não apenas ouvindo. Muitos estudos e anos depois, a ideia se difundiu e desembarca em colégios brasileiros, posta em ação em laboratórios conhecidos como maker space, em inglês mesmo, como tantos vocábulos da escola ultramoderna (veja o quadro). Ali, a garotada mexe com chips e baterias, cortadora a laser e até impressora 3D, que dá vida a outra prática bem século XXI, o design thinking (método de resolução de problemas que consiste em fracioná-­los, produzir protótipos e testá-los). “Já viu uma aula que a criança não quer que termine? Elas ficam 100% envolvidas”, diz Priscilla Torres, diretora em São Paulo da Concept — uma das várias particulares a aderir ao chamado movimento maker.

Em prol da sobrevivência, colégios tradicionais estão sendo obrigados a sacudir a velha grade para fazer frente a uma recente leva de escolas que se propõem a oferecer o cardápio completo do século XXI, entre elas a própria Concept (também em Ribeirão Preto e Salvador), a Beacon (São Paulo), a Avenues (São Paulo) e a Eleva (no Rio e, em breve, em Brasília), cujo principal investidor é o empresário Jorge Paulo Lemann (veja a entrevista). São todas bilíngues, com mensalidades de 5 000 a 9 000 reais. Nessa mexida modernizante, novas disciplinas, que antes eram eletivas ou não existiam, chegaram para ficar. A mais comum é coding, em que as crianças aprendem o básico de programação. “Todas as profissões do futuro vão exigir um conhecimento mínimo na área”, afirma Marcelo Pena, diretor pedagógico do colégio Farias Brito, fundado há 84 anos em Fortaleza, campeão no último Enem. O também tradicional Bandeirantes, em São Paulo, decidiu incorporar ainda robótica e cidadania digital, que trata de cyberbullying, fake news e etiqueta nas redes sociais. Outras ensinam — e aí vai mais inglês — global connections (que põe crianças em várias nações debruçadas sobre um mesmo problema em tempo real) e public speaking (sobre falar em público).

A revisão da escola envolve uma saudável e radical reflexão sobre o que importa ensinar nos dias de hoje. “Repassar uma montanha de conteúdo à criança não faz mais sentido em um mundo no qual o conhecimento de alto nível está a um clique”, diz o físico alemão Andreas Schleicher, que comanda na OCDE o mais reputado ranking mundial da educação. Por isso, países na vanguarda, como Finlândia, Austrália e Singapura, estão passando a faca em seus currículos de modo a ficar apenas com o essencial e abrir lugar para as tão requisitadas habilidades socioemocionais — trabalhar em equipe, lidar com diversidade e adversidades, afiar o senso crítico. É verdade que o Enem ainda demanda matérias a perder de vista, o que obriga as escolas a se manter firmes na quantidade, mas as que não entenderem a necessidade de ampliar o leque vão ficar logo, logo para trás.

O saber organizado em escaninhos muito estanques — matemática, ciências, história, geografia — se prestava bem a tempos em que a ideia era formar gente ultraespecializada para a indústria. Agora, as gerações nas carteiras (ou reunidas ao redor de uma árvore, como em uma aula acompanhada pela reportagem na escola Eleva, onde, acredite, a lição rende muito mais) precisam ser equipadas intelectualmente para solucionar problemas que ainda estão por vir — e eles certamente serão multidisciplinares. “As verdadeiras questões da humanidade demandam a junção de todas as áreas do conhecimento para ser decifradas”, disse a VEJA o sociólogo francês Edgar Morin, um dos grandes pensadores do século XX, que, aos 98 anos, segue como um astuto observador. É justamente sobre essa percepção de Morin que germina nas escolas mundo afora, e também no Brasil, o project-based learning, método que aciona as diversas matérias para olhar um mesmo assunto sob variados prismas. Na Concept, que bebeu da fonte finlandesa — referência número 1 no assunto —, o “projeto Lua” engloba gravidade (ciências), a conquista (história) e cálculos da viagem até lá (matemática). Depois, os alunos bolam uma base para fincar na Lua e roupas de astronauta — tudo prototipado em laboratório, claro. O conteúdo exigido está ali, mas embalado de um jeito atraente.


A tecnologia, outro recurso para arejar a aula, vem sendo amplamente empregada nessas escolas que ambicionam falar a língua dos tempos atuais — embora, é bom que se frise aos pais à caça de colégio, ela só faça diferença para valer se adotada sob a batuta de um bom professor. Do contrário, tablets e smartphones perigam ser desastrosos ao desviar a atenção do que verdadeiramente importa. “Os alunos só podem entrar na internet quando o professor pede, e ela tem sido útil. É o mundo dessa meninada, a língua que eles falam”, lembra o coor­denador Wilton Ormundo, da Móbile, em São Paulo, que, como tantos colégios, embarcou na onda do bring your own device, um convite aos estudantes a levar à escola seus celulares e notebooks, nos quais fazem pesquisa, trabalhos e muito exercício.

Além de animar a lição, propondo jogos — sim, eles fazem parte da nova escola — e interação, a tecnologia serve a um fim valioso: ela personaliza o ensino. Quanto mais inteligente a máquina, melhor. Assim, quando o aluno executa tarefas no computador, o sistema consegue discernir o nível em que ele está e o conduz conforme seu desempenho, seja sugerindo questões parecidas para sanar lacunas, seja elevando o grau do desafio aos que estão na dianteira. Cabe ao mestre valer-se desses diagnósticos instantâneos sobre cada um para intervir em tempo real, antes de dúvidas virarem grandes gargalos. “Começamos a usar inteligência artificial para dar a cada aluno um trajeto diferenciado dentro da escola”, diz Marcello Vannini, diretor de tecnologia do grupo Objetivo, presente em todos os estados. Mas atenção: nesse campo tudo soa inovador, mas nem sempre é. “Antes de se encantarem com o uso de um tablet, é crucial os pais perguntarem como ele é utilizado e como contribui para o aprendizado”, observa André Carlos Ponce, professor de inteligência artificial da Universidade de São Paulo.

A revolução no ensino passa por um sacolejo no próprio papel do professor e da sala de aula. “A filosofia do século XXI é que o aprendizado extrapole os muros da escola”, ressalta Schleicher. O princípio vem sendo aplicado ao extremo em um conjunto de colégios encravado no Vale do Silício, na Califórnia, naco do planeta recordista em inovações. Ali, vicejam as flipped classroom, sistema invertido em que o aluno assiste em casa, a seu tempo, via computador, às aulas expositivas gravadas e vai à escola para sanar dúvidas, interagir e debater com os colegas. Um dos propagadores do modelo é o matemático americano Salman Khan, que recebeu o primeiro empurrão do admirador Bill Gates, dono da Microsoft, e produziu um banco de aulas de altíssimo nível, acessado por qualquer um. O professor aí deixa de ser um mero repassador de conteúdo e atua como um tutor (essa é a palavra que começa a despontar) do aprendizado. Muitas escolas daqui oferecem material para que o estudante consuma de onde estiver — e isso é bom, porque resulta em mais horas de estudo, segundo indicam as pesquisas.

Nas últimas décadas, a neurociên­cia produziu avanços notáveis na direção de entender como o cérebro absorve conhecimento. Curioso é que escolas no mundo inteiro tenham dado as costas a essas descobertas, insistindo na fórmula de sempre. Isso está aos poucos mudando no bojo das reviravoltas na sala de aula. Uma das constatações dos cientistas é que a janela de concentração humana durante uma aula expositiva se fecha em não mais do que vinte minutos (e por que mesmo teimamos tanto com os tempos de classe de uma hora?). Daí a relevância de se dobrar à crescente ideia de que a experiência ensina. “Quanto mais sentidos estiverem envolvidos na absorção de conteúdo, mais sólido ele será”, confirma o neurocientista Ariovaldo Silva, da Universidade Federal de Minas Gerais. É duro reconhecer, mas boa parte do que a criança aprende na escola vai sendo descartada ao longo da vida. Eis o pulo do gato: “As chances de uma informação ficar retida na memória aumentam exponencialmente quando ela tem alguma utilidade estratégica para a sobrevivência ou traz forte conexão emocional”, lembra Silva.

Toca-se aí em uma tecla teórica que escolas brasileiras começam aos poucos a desbravar: como deixar a mente mais receptiva ao aprendizado. Essa é uma possibilidade que abarca campos da emoção para os quais, não faz muito tempo, os mais conservadores torciam o nariz em toda parte. Colégios como o Bernoulli, em Belo Horizonte, no topo do Enem, ensinam técnicas de respiração aos pequenos e vão incluir ioga na grade dos maiores. Pisos de espuma, aliás, já não são tão raros em escolas daqui, simpáticas também à meditação e, como não?, ao conceito muito em voga de mindfulness. É sabido que técnicas dessa natureza ajudam a desenvolver concentração, autocontrole e memória, tudo bem-vindo no fascinante processo de assimilação do conhecimento. Quem diria que a posição de lótus, praticada desde o longínquo século VIII, iria parar nas salas de aula de escolas com os pés fincados no futuro.


Fonte:veja.abril


sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Política

4º Bimestre - Turma 801


Chamado de 'espertalhão' por Bolsonaro, Paulo Câmara diz que presidente deveria falar sobre óleo no Nordeste
Nesta sexta (18), presidente disse que "desonestidade ainda persiste na política", ao falar sobre 13º do Bolsa Família. Governador cobrou posicionamento sobre dano ambiental.


Jair Bolsonaro (PSL) chamou o governador Paulo Câmara (PSB) de 'espertalhão' — Foto: Reprodução/TV Globo


O presidente Jair Bolsonaro (PSL) chamou o governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), de "espertalhão", pelas redes sociais, nesta sexta (18). Ele usou esse termo ao falar sobre a autoria da ideia do 13º salário do Bolsa Família. Também pelas redes sociais, o governador reagiu e disse que presidente deveria falar sobre as manchas de óleo que atingiram o Nordeste.

Os governos federal e estadual instituíram projetos semelhantes, mas em datas diferentes. A ideia do 13º do Bolsa Família de Paulo Câmara surgiu em agosto de 2018 e o de Bolsonaro, em outubro do mesmo ano, durante a campanha eleitoral.

O texto do presidente da República foi divulgado com um vídeo postado por um seguidor. Nele, um homem afirma que o governador de Pernambuco estaria querendo "surfar na onda Bolsonaro".

Na postagem, Bolsonaro escreveu que "a desonestidade ainda persiste na política. O espertalhão da vez agora é o governador de Pernambuco, do PSB. Mas o povo de bem reage às mentiras".

No vídeo publicado pelo presidente, aparece um homem, que está em frente a um outdoor de divulgação do 13º salário do Bolsa Família instituído em Pernambuco. Essa pessoa afirma que "foi o governo federal que fez isso".

O projeto do 13º do Bolsa Família de Pernambuco, ao qual o outdoor se refere, foi uma promessa de campanha de Câmara, em agosto de 2018, e depois ganhou o nome de Nota Fiscal Solidária.

O programa exige que os beneficiados do Bolsa Família incluam o CPF nas notas fiscais de compras de determinados produtos para ter direito ao 13º.

Durante a campanha presidencial, Bolsonaro anunciou a parcela extra do programa, em outubro de 2018, depois do primeiro turno, no qual o governador de Pernambuco foi reeleito.

A Medida Provisória (MP) que institui o 13º do Bolsa Família pelo governo federal, no entanto, foi assinada um ano depois e, posteriormente, editada pelo presidente.

De acordo com o Ministério da Cidadania, o pagamento será feito em dezembro e custará R$ 2,5 bilhões aos cofres públicos.


Reação

Nas redes sociais, o governador de Pernambuco rebateu a publicação de Bolsonaro e disse ter sido surpreendido "com um ataque direto do presidente da República, que, de maneira desinformada, falta com o respeito ao governador e ao estado" (veja íntegra da resposta no fim da matéria).

No texto, publicado nas redes sociais, Paulo Câmara afirma que "não faz sentido dedicar energia apenas para fabricar intrigas". O governador diz, ainda, que, "no momento, o Nordeste enfrenta uma grave crise ambiental e seria muito mais útil ao país um posicionamento do presidente sobre este tema", referindo-se ao petróleo que atinge praias da região desde o fim de agosto.


Confira a resposta de Paulo Câmara na íntegra


"Fui surpreendido, agora pela manhã, com um ataque direto do Presidente da República, que, de maneira desinformada, falta com o respeito ao governador e ao estado de Pernambuco.

Infelizmente, utilizarei este espaço com um debate que me parecia desnecessário, mas um posicionamento público se tornou inevitável. O tema é a paternidade do programa 13º do Bolsa Família, cuja iniciativa estadual o presidente tenta, lamentavelmente, descredenciar, valendo-se de acusações falsas.

Eu acho válido que ele, um crítico ferrenho do Bolsa Família, tenha resolvido, depois de nós, também pagar mais uma parcela aos beneficiários. Mas ele precisa fazer um esforço para respeitar as pessoas e a verdade dos fatos. Vamos ao que é incontestável e dissolve a polêmica:

Em 26 de agosto de 2018, na campanha para reeleição, anunciei que todos os beneficiários do Bolsa Família em Pernambuco receberiam uma 13ª parcela, paga com recursos do tesouro estadual. Semelhante proposta foi apresentada pelo candidato Bolsonaro mais de 40 dias depois.

Em Pernambuco, o projeto - aprovado por unanimidade pela Assembleia ainda em novembro de 2018 - foi lançado formalmente em abril de 2019. Muito antes do presidente assinar a MP que institui o pagamento no âmbito federal, o que aconteceu apenas nesta semana, ainda carecendo de aprovação no Congresso.

Em resumo: existem os programas estadual e federal, sendo o nosso anterior ao do presidente. Um detalhe que parece incomodá-lo, quando o mais importante deve ser assegurar o benefício a milhares de pessoas, que já aguardam ansiosas pelo pagamento.

A campanha eleitoral terminou. Em qualquer tempo, não faz sentido dedicar energia apenas para fabricar intrigas. É hora de governar, fomentar falsas polêmicas só gera mais atraso. O Brasil tem 12 milhões de desempregados, com aumento da informalidade. No momento, o Nordeste enfrenta uma grave crise ambiental, seria muito mais útil ao país um posicionamento do presidente sobre este tema. Com a identificação de verdadeiros criminosos, não a tentativa de criar inimigos. Vamos ao trabalho. É o que a população espera de nós. É o que fazemos em Pernambuco".


Fonte:G1

terça-feira, 15 de outubro de 2019

Mundo

4º Bimestre - Turma 801



Como retirada das tropas americanas ordenada por Trump modifica a guerra na Síria

Ao abandonar os curdos sírios à própria sorte, EUA abrem uma série de oportunidades para Síria, Rússia e Irã.




Bastou uma semana para o mapa da guerra na Síria ser reformulado — depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, usou o que chamou de "grande e inigualável sabedoria" para ordenar a retirada das tropas americanas do norte do país.

Ao abandonar os curdos sírios, aliados dos EUA, à própria sorte, Trump desencadeou uma série de acontecimentos, abrindo um leque de oportunidades para a Turquia; para o governo do presidente sírio, Bashar al-Assad, e seus aliados, Rússia e Irã; e para os jihadistas do grupo extremista autodenominado Estado Islâmico.

Oito anos de guerra na Síria afetaram e modificaram o Oriente Médio. E, na última semana, houve outro momento decisivo. Talvez a sabedoria do presidente Trump o tenha ajudado a prever acontecimentos. Ou talvez o hábito de seguir seus instintos seja um erro grave quando se trata das infinitas complexidades do Oriente Médio.

Atores estrangeiros


Há anos, ficou claro que o destino da Síria seria decidido por estrangeiros, e não pelos próprios sírios. Repetidas intervenções sustentaram e escalaram a guerra. Escrever sobre a disputa por influência e poder na Síria deve começar pelas vítimas da guerra. Cada arrocho militar significa tragédia e, muitas vezes, a morte de civis.

Assistir a vídeos do sofrimento deles deveria ser obrigatório para os líderes que dão as ordens. Não é difícil encontrar essas imagens na internet e na televisão.

A decisão do presidente Trump de retirar os EUA do que chamou de "guerra sem fim" deu à Turquia sinal verde para enviar tropas para a Síria.

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, declarou que seu alvo eram os curdos das Forças Democráticas da Síria (FDS), que são aliados dos rebeldes curdos de seu país. O plano dele é controlar os dois lados da fronteira no nordeste da Síria e estabelecer uma zona de ocupação de cerca de 32 quilômetros — para onde ele quer mandar um milhão ou mais de refugiados sírios.


Militares da Síria chegam à cidade de Ain Issa, imagem de 14 de outubro de 2019 — Foto: Divulgação/Sana/Reuters


Quando os EUA decidiram equipar e treinar curdos sírios, assim como alguns árabes, para combater o Estado Islâmico, eles estavam cientes de um problema em potencial: seus futuros aliados curdos eram considerados terroristas pela Turquia, aliada da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Washington fez vista grossa para um problema que poderia ser jogado para o futuro. Agora o futuro chegou — e foi pelos ares.

Há uma semana, um pequeno número de militares americanos era o símbolo tangível do que parecia ser uma garantia de segurança para os curdos sírios, que se tornaram aliados vitais na guerra contra os jihadistas extremistas do Estado Islâmico.

Os curdos lutaram e morreram em solo, enquanto os EUA, o Reino Unido e outros países forneceram poderio aéreo e tropas das forças especiais. Quando o califado autoproclamado pelo Estado Islâmico caiu, os curdos se mobilizaram e prenderam milhares de combatentes jihadistas.

Mudança de rumo


Mas no mesmo tempo que levou para o presidente Trump enviar alguns tuítes, os curdos sírios foram forçados a reconhecer que haviam sido abandonados, provocando consternação nas forças armadas americanas.

O secretário de Defesa dos EUA, Mark Esper, negou que os curdos tivessem sido abandonados. Mas com o avanço dos turcos e a retirada dos americanos, não foi o que os curdos sírios sentiram. Mais uma vez em sua história conturbada, eles se tornaram aliados descartáveis ​​de uma potência estrangeira. E se voltaram para seus antigos inimigos em Damasco.

No domingo, os curdos anunciaram um acordo com o regime do presidente sírio, Bashar al-Assad, concordando que suas tropas poderiam avançar para a zona que não era controlada por Damasco desde 2012, bem perto da fronteira com a Turquia.


Uma nuvem de fumaça é vista na cidade síria de Ras al-Ain, do lado turco da fronteira em Ceylanpinar, no distrito de Sanliurfa, na primeira semana de operação militar turca contra as forças curdas — Foto: Ozan Kose/AFP


Essa é uma grande vitória para o regime. As tropas deixaram rapidamente as bases que mantinham no nordeste do país. Os partidários de Assad desenterraram as bandeiras do regime.

Foi um dia desastroso para a política americana no Oriente Médio. A aliança com os curdos e a garantia de segurança que protegia seu território autônomo na Síria deram aos americanos uma participação no fim da guerra.

Foi também uma maneira de pressionar os apoiadores do regime de Assad: Rússia e Irã. A retirada dos americanos e o avanço do Exército sírio também são uma vitória para eles.

Novas oportunidades parecem estar se abrindo para os jihadistas extremistas do Estado Islâmico. No aplicativo de mensagens Telegram, eles declararam uma nova campanha de violência na Síria. Embora tenham perdido seu território, o "califado", aqueles que não foram presos ou mortos se restabeleceram em células adormecidas para realizar ataques de guerrilha.

Agora, com os curdos cambaleando, eles veem a chance de libertar os milhares de combatentes que estão detidos nas prisões curdas. Alguns são assassinos notórios que podem representar uma séria ameaça se saírem carregando armas e bombas novamente — não apenas na Síria, mas em outros lugares.

Legitimamente, os governos do ocidente estão ficando nervosos com uma nova ameaça do Estado Islâmico.

Os governos europeus, preocupados que os problemas do Oriente Médio batam à sua porta, estão pedindo à Turquia que pare a ofensiva.

Alguns membros da Otan veem um cenário de pesadelo se desenrolando, com a Síria, apoiada pelo poderio russo, enfrentando potencialmente a Turquia, membro da Otan. Os russos dizem que estão em contato regular com a Turquia.

Mas em uma zona de guerra fluida e violenta, as chances de percepções equivocadas, erros e agravamento estão sempre presentes.

Talvez o que aconteceu na última semana simplifique o fim da guerra na Síria. Dois grandes atores, os americanos e os curdos, parecem estar fora de cena — enquanto o presidente Assad, juntamente com seus aliados, Rússia e Irã, continua a solidificar sua vitória.


Fonte:G1

Saúde e Bem Estar

4º Bimestre - Turma 801


Falta de acesso à alimentação de qualidade causa obesidade e subnutrição

Relatório do Unicef mostra que pelo menos 227 milhões são afetadas por problemas alimentares no mundo.


A alimentação saudável é fundamental para o desenvolvimento infantil — Foto: Freepik



Uma em cada três crianças com menos de cinco anos está desnutrida ou sofre de sobrepeso no mundo. Das 676 milhões de crianças que viviam no planeta em 2018, pelo menos 227 milhões são afetadas por problemas alimentares, calcula o Fundo da ONU para a Infância (UNICEF) em relatório publicado nesta terça-feira (15), o maior sobre o assunto dos últimos 20 anos.

“Esses problemas são uma ameaça para o crescimento das crianças”, explica Victor Aguayo, responsável pelo Programa Mundial de Nutrição do UNICEF. Segundo o especialista, essas crianças talvez nunca alcancem o seu pleno potencial físico e intelectual.

No total, 149 milhões de crianças no planeta têm atraso no crescimento devido à desnutrição crônica e 50 milhões são magras em relação à sua estatura, devido à desnutrição aguda ou a um problema de absorção de nutrientes.



Criança em estado agudo de desnutrição recebe atendimento dos Médicos Sem Fronteiras no Sudão do Sul, em foto de outubro de 2016 — Foto: Albert Gonzalez/AFP


Globalização é um das causas

São inúmeras as razões que podem ter impacto sobre a nutrição infantil. Cada vez mais famílias têm deixado o campo para viver nas cidades, a entrada das mulheres na força de trabalho, mudanças no clima e biodiversidade são variáveis que precisam ser analisadas, segundo os pesquisadores do UNICEF. Além disso, dietas tradicionais têm sido substituídas por hábitos de consumo ricos em gorduras e açúcares, com baixa concentração de nutrientes.

“Há um mundo que está mudando por causa da globalização. Um regime alimentar que compreende frutas, legumes, produtos lácteos e ovos está se tornando cada vez mais caro, enquanto regimes alimentares que são pobres do ponto de vista nutricional se tornam mais baratos”, analisa Victor Aguayo.


Segundo Unicef, a seca na Somália pode levar a até 270 mil crianças sofrerem de desnutrição grave neste ano — Foto: Farah Abdi Warsameh/AP



De acordo com os dados do UNICEF, 340 milhões de crianças sofrem de carências alimentares. Elas recebem o número de calorias suficientes, mas não o de minerais e vitaminas indispensáveis para o seu desenvolvimento, como ferro, iodo, vitaminas A e C, devido, principalmente, à falta de frutas, verduras e produtos de origem animal. Estas carências podem ter consequências físicas e intelectuais severas, como sistema imunológico deficiente, problemas de vista ou de audição.

Este fenômeno começa muito cedo, com uma amamentação insuficiente e uma diversificação alimentar baseada em produtos impróprios, e se agrava com a crescente acessibilidade a alimentos ricos em calorias mas pobres em nutrientes, como o macarrão instantâneo.

"A maneira como entendemos e reagimos à desnutrição precisa mudar: não se trata apenas de dar às crianças comida suficiente. Antes de tudo, é preciso lhes dar uma boa alimentação", destacou Henrietta Fore, diretora do UNICEF, em um comunicado que acompanha o relatório.

O papel dos governos


O órgão convoca os governos a promoverem os alimentos necessários para uma dieta equilibrada e a agirem para que ela seja acessível economicamente.

O UNICEF também defende a regulamentação da publicidade do leite infantil em pó e dos refrigerantes, assim como a aplicação de etiquetas com informação nutricional nos alimentos que sejam facilmente compreensíveis, para ajudar os consumidores a escolherem produtos mais saudáveis.

A desnutrição segue sendo o principal problema, ao afetar as crianças quatro vezes mais que o sobrepeso. O número de crianças que não recebem comida suficiente para as suas necessidades nutricionais retrocedeu 40% entre 1990 e 2005, mas prevalece como um grande problema em muitos países, especialmente na África subsaariana e no sul da Ásia.

Obesidade infantil é um dos fatores de risco para hipertensão — Foto: Pixabay


O UNICEF alerta para o fato de que o sobrepeso e a obesidade se desenvolvem rapidamente, com 40 milhões de crianças pequenas afetadas, inclusive nos países pobres. Enquanto este problema era praticamente inexistente nos países com baixa renda em 1990 (3% deles tinham mais de 10% de crianças com sobrepeso), agora três quartos destes Estados enfrentam a questão.


Fonte:G1

Ciências

4º Bimestre - Turma 801



Amazônia poderia ser 'Vale do Silício da biodiversidade', dizem pesquisadores

Para participantes do programa Ciência Aberta, investimento em infraestrutura poderia transformar a região



O modelo de exploração econômica da Amazônia praticado nas últimas décadas tem causado o aumento do desmatamento e não tem se revertido em melhoria na distribuição de riqueza ou em benefícios econômicos e sociais para as populações locais.

A fim de mudar esse quadro e assegurar a permanência da floresta e o uso sustentável de seus recursos é preciso implementar um novo modelo de desenvolvimento econômico para o bioma baseado no conhecimento da natureza — a chamada bioeconomia.

A avaliação foi feita por pesquisadores que participaram do sétimo episódio de 2019 do programa Ciência Aberta com o tema “Amazônia”, lançado nesta terça-feira (15).

Participaram do debate Paulo Moutinho, pesquisador sênior e cofundador do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da USP (Universidade de São Paulo) e membro da coordenação do Programa Fapesp de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG), e Ricardo Abramovay, professor do Instituto de Energia e Ambiente da USP.

“Ainda tem sido replicado na Amazônia o mesmo modelo existente há 25 anos de uso e ocupação da terra, em boa parte de forma ilegal, pela agropecuária, exploração madeireira e o garimpo, que só tem gerado destruição”, disse Moutinho. “É preciso que a sociedade brasileira faça uma escolha definitiva do modelo de desenvolvimento econômico que se quer para a Amazônia porque o que está em vigor só tem gerado concentração de riqueza e de terra e desmatamento da floresta”, avaliou.

De acordo com Abramovay, apesar da riqueza natural da Amazônia, que possui entre 10% e 20% da biodiversidade do planeta, a população da região apresenta os piores indicadores sociais do país.

“Até hoje, a Amazônia tem sido uma espécie de almoxarifado em que o Brasil busca matéria-prima e energia barata, sem que isso se reverta em benefícios para as pessoas que vivem na região. Mas existem alternativas que podem permitir, sobretudo às populações tradicionais da Amazônia, se transformar em protagonistas de mudanças”, avaliou.

Uma das alternativas seria transformar a Amazônia em um centro de pesquisa, um “Vale do Silício da biodiversidade”, de modo a possibilitar a exploração econômica sustentável dos recursos da floresta e a descoberta de moléculas e de insumos de interesse das indústrias farmacêutica e de cosméticos, disse o pesquisador.

Para isso, seria preciso fazer investimentos maciços em infraestrutura —o que não significa abrir estradas —, prover conexão à internet generalizada na região, permitir o acesso de pesquisadores para fazer estudos sobre biodiversidade e investir na formação de pessoas, avalia Abramovay.


Árvore na Amazônia


“O Brasil está na retaguarda da inovação global e como o país possui a maior biodiversidade do planeta é nela que pode aposar para recuperar o tempo perdido”, disse.

Algumas das atividades econômicas que também poderiam ser fomentadas na região são a piscicultura (criação de peixes em cativeiro) e o turismo ecológico, que cresce a taxas de 15% ao ano e está estagnado no Brasil, sobretudo na Amazônia, disse o pesquisador.

“Todas essas atividades geram emprego e renda por meio do uso de conhecimento da natureza e não da destruição.”

Esse novo modelo de desenvolvimento para a Amazônia não exclui as atividades já praticadas na região, mas propõe seu redimensionamento, avalia Moutinho.


DESMATAMENTO

Boa parte do desmatamento ilegal da floresta está relacionada ao avanço da pecuária extensiva na Amazônia, que ocupa grandes áreas com menos de uma cabeça de gado por hectare.

Ao incentivar a intensificação, aumentando o número de cabeças de gado por hectare, seria possível liberar para a agricultura 40 milhões de hectares de áreas já desmatadas, que foram convertidas em pastagens e posteriormente abandonadas, disse o pesquisador.

“Uma boa parte do avanço da plantação de grãos na Amazônia ocorre hoje em áreas que eram de pastagem”, afirmou Moutinho.

Como muitos pecuaristas não têm incentivo para fazer pecuária intensificada eles vendem a terra para fazendeiros plantarem soja e movem o gado para a floresta, explicou. 

“Há um ciclo dos pecuaristas na Amazônia de moverem o gado para a floresta para continuar produzindo porque não têm incentivos para fazer intensificação. É preciso um plano nacional de intensificação da pecuária para reduzir o avanço dessa atividade sobre a floresta”, avaliou.

Na opinião de Artaxo, é possível atingir o desmatamento zero na Amazônia sem causar prejuízos para a produção agrícola e isso quase aconteceu em um período recente.

Em 2004, foram desmatados 28 mil quilômetros quadrados (km²) da floresta e, em 2012, esse número caiu para 4 mil km². Nesse período, o país foi o que mais contribuiu para a redução das emissões de gases de efeito estufa no mundo e a produção agrícola aumentou.

“Isso mostrou que não é preciso desmatar para aumentar a produção agrícola e que é possível reduzir o desmatamento a zero, que não custa caro e é a melhor medida para reduzir as emissões de gases de efeito estufa”, afirmou.

De acordo com o pesquisador, a Amazônia possui o maior reservatório de carbono em área continental no mundo. Além disso, é uma grande processadora do vapor d’água oriundo do oceano Atlântico tropical, que forma as chuvas que caem nas partes central e Sul do Brasil e irrigam as lavouras do país.

Dessa forma, a aceleração do desmatamento da floresta contribuirá não só para aumentar as emissões de gases de efeito estufa, como o dióxido de carbono, e intensificar o aquecimento global, como também coloca em risco o agronegócio brasileiro.

“O pior uso que se pode fazer da Amazônia é queimar a floresta para criação de áreas de pastagem e transformá-la em gases de efeito estufa”, avaliou Artaxo.

A fim de garantir o desmatamento zero da floresta amazônica é necessário apenas cumprir a lei, punindo os desmatadores ilegais, apontou Abramovay.

“Só 1% das multas aplicadas para quem exerceu atividades de desmatamento ilegal é pago. E, agora, até essas multas deixaram de ser pagas”, afirmou.

Do total de 5,5 milhões de km² da floresta amazônica, 20% (1 milhão de km²) já foram desmatados. 

A maior parte do desmatamento – 70% – está concentrada em grandes faixas ao longo das estradas que cruzam a Amazônia, destacou Moutinho. “Não estou dizendo que não tem de ter estradas lá, mas é preciso uma outra compreensão do desenvolvimento da região que não ocorreu no início de sua ocupação”, ponderou.

Ciência Aberta é uma parceria da Fapesp com a Folha. O programa é apresentado por Alexandra Ozorio de Almeida, diretora de redação da revista Pesquisa Fapesp.


Fonte:folha.uol