quinta-feira, 15 de junho de 2017

Ética e cidadânia

2º Bimestre - Turma 601


Homem recupera celular furtado de mulher e pega táxi para devolvê-lo, no Rio





Uma boa ação pode mudar o dia de uma pessoa. Ou de mais de uma. Foi o que aconteceu com o vendedor Dyocil Menezes, de 39 anos, e a arquiteta e urbanista Carolina Galeazzi, de 39 anos. Ela teve o celular furtado em um ônibus da linha 485, que faz o trajeto Penha-Siqueira Campos, na Cidade Nova, no Centro do Rio. Ele, que havia acabado de descer do veículo e viu toda a cena, conseguiu recuperar o aparelho.
Carolina estava na janela do ônibus quando um jovem pegou o celular dela. O rapaz tinha acabado de passar por Dyocil, que descia do ônibus. Ao ver a rápida cena acontecer e o ônibus seguir viagem, ele perguntou ao jovem que cometeu o furto se poderia ter o celular de volta.
- Eu vi quando ele puxou o celular. Olhei para ele falei 'Aí, bora desenrolar esse telefone aí'. Ele perguntou se eu queria devolver o celular para a dona e eu falei que sim. Ele, então, jogou o telefone para mim. Na hora, fiquei preocupado. Não sabia se ele estava sozinho, mas agi por instinto. Nunca tinha feito isso, mas me senti confortável em fazer de alguma forma - contou.
Um pouco ressabiado, Dyocil atravessou a rua e resolveu aproveitar o fato de o aparelho estar desbloqueado para enviar mensagens e ligar para contatos avisando que estava com o celular de Carolina. Logo depois, entrou em um táxi e seguiu o trajeto do ônibus na esperança de encontrar a dona do celular.
- Encontramos o ônibus em Botafogo. O taxista buzinou e eu desci. Entrei no ônibus e perguntei para o motorista se alguém ali tinha tido o celular roubado. Ele me mostrou a Carolina e eu devolvi o aparelho para ela. Foi rápido, nem deu para falar ali direito. Ela ficou sem entender nada - disse Dyocil.
Carolina, por sua vez, ficou surpresa com a chegada do vendedor no coletivo.
- Ele para o ônibus e entra com o celular na mão e para mim aquilo foi muito surpreendente. Querendo ou não, o roubo a gente sabe que acontece. Agora, alguém se empenhar para devolver o celular assim, dessa forma, é o que a gente estranha hoje, infelizmente. Fiquei muito surpresa, nem consegui conversar com ele. Fiquei meio 'como assim?' perguntei como tinha sido e tal, mas o táxi estava atravessado no meio da rua, as pessoas queriam ir para casa e tal...Mas fiquei desacreditada mesmo. Cheguei em casa e liguei para ele para entender - disse Carolina.
Vendedor recusou valor do táxi
Em casa, a arquiteta entrou em contato com o vendedor para entender o que tinha acontecido. Carolina ainda se ofereceu para pagar a corrida de táxi de Dyocil, mas ele negou. O dinheiro precisava ser investido em algo importante.
- Ela me ligou já em casa, agradecendo, queria ressarcir a corrida. Falei para ela ajudar instituições de caridade. Mandei duas que eu já ajudei e conheço (Associação Espaço Pequeno Cidadão e Quero na Escola), que são relacionadas a educação e que apoiam crianças e jovens. Falei para ela 'se você puder ajudar, a gente atua para que outros moleques não passem por isso'. Falei também para a gente torcer por esse menino que a furtou porque ele estava ali por um contexto - explicou Dyocil.

Fonte: Jornal Extra

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