ASSASSIN'S CREED ODYSSEY REVIEW
Poder escolher quem seria o protagonista da história logo me chamou atenção. Claro que isso já havia sido anunciado há algum tempo, mas o ato de tomar a decisão foi marcante; evidenciou a determinação em criar algo realmente único dentro de uma franquia cheia de altos e baixos. Na primeira jogatina, nem precisei pensar -- escolhi Kassandra logo de cara. Há mais de uma década os jogos da série são protagonizados por homens, com exceção de expansões, títulos em 2D e, claro, de Assassin's Creed Syndicate, no qual Evie Frye é facilmente a personagem mais interessante, mas divide o protagonismo com Jacob, irmão dela.
Em mais de um sentido, Assassin's Creed Odyssey é colossal. Cerca de 20 ilhas preenchem o arquipélago grego, que é totalmente explorável; algumas delas são extremamente extensas enquanto outras são pequenos pedaços de Terra pouco ou nada povoados. Embora o estilo de arquitetura marcante da Grécia Antiga se repita por praticamente todos os lugares por onde o jogador passa -- algo que faz sentido -- a diferença de desenvolvimento em cada local chama atenção. Essas ilhas não repetem um padrão de "área mais moderna" e "área rural de caça". Em alguns casos, sequer há grandes construções; existem apenas povoados ou acampamentos de soldados e mato.
Todas as regiões do mapa são divididas entre influência espartana e influência ateniense. O jogador pode participar das chamadas Batalhas de Conquista, na qual dois exércitos imensos se enfrentam e Kassandra ou Alexios precisam eliminar os capitães do adversário, para determinar qual nação será predominante em cada lugar. Apesar de não serem o foco do jogo e parecerem um pouco perdidas em meio à narrativa, trata-se de uma experiência que passa toda a grandiosidade e brutalidade de uma guerra real e empolga tanto quanto vicia.
A progressão em Assassin's Creed Odyssey deixa claro que a franquia abraçou, de fato, o conceito de RPG em mundo aberto. Assim como em Origins, há níveis para Kassandra ou Alexios e todos os inimigos. Ao longo da campanha, conforme o jogador vai progredindo, os personagens são levados a novas regiões, mas isso nem sempre significa que eles conseguirão sobreviver por lá. Embora, em média, exista certa coerência entre o nível do jogador e o ponto no qual se está jogando a campanha, algumas missões da história principal exigirão níveis mais altos; vão forçar o jogador a buscar missões paralelas ou contratos de mercenário, profissão dos protagonistas.
As diferenças de nível, claro, não apenas serviram para me fazer buscar outras atividades, como limitou a exploração "segura", no sentido de que se, por exemplo, eu encontrasse um inimigo em uma região na qual Kassandra ainda era fraca, morreria na hora. Como não estava pronto para sair de peito aberto enfrentando quem fosse preciso antes de descobrir novos ambientes -- fugir dos piratas com navios mais poderosos não é tão fácil --, acabei sendo incentivado a analisar com calma cada cantinho das regiões pode onde passava sem me preocupar com tomar uma flechada nas costas ou encontrar um leão poderoso e faminto que me destruiria com facilidade e agilidade.
Essa investigação minuciosa do que havia ao redor da personagem me levou, inevitavelmente, a reparar em alguns detalhes que são realmente fascinantes. Animais, sejam lobos, javalis ou leões, brigam entre si, assim como exércitos troianos e atenienses. Cadáveres deixados para trás, seja por tropas ou por Kassandra, não demoram a ser devorados por urubus que saem voando quando sentem a aproximação da protagonista. Civis às vezes reagem quando são atingidos acidentalmente por algum guarda. Galinhas ficam extremamente irritadas quando você as acerta com uma flecha e conseguem tirar quantidades bem grandes de saúde quando atacam o jogador -- sim, elas conseguem até matar. Acredite.
Até aqui, nada de tão novo. Equipamentos desbloqueáveis por nível já fizeram parte de outros games da série, como o próprio Origins. Em Odyssey, no entanto, cada espada, lança, machado ou maça traz vantagens específicas consigo. Maior dano de fogo ou de veneno, capacidade de dano otimizada contra soldados de uma facção específica, maior probabilidade de dano crítico, aumento da adrenalina adquirida enquanto em combate ou até mesmo melhorias de habilidades específicas estão embutidas nos equipamentos que encontramos ao longo da jornada. Algumas destas vantagens podem, inclusive, ser entalhadas nos itens de armadura ou nas armas em lojas de ferreiro, o que contribui para que o jogador torne o próprio estilo de jogo mais eficiente. É possível evoluir cada uma das vantagens entalhadas no equipamento em até cinco níveis, cumprindo desafios que podem ser encontrados no menu "Lista de Entalhes".
Existem outros dois tipos de dano principais em Assassin's Creed Odyssey além do já citado dano de Assassino: dano de Caçador e dano de Guerreiro. Cada uma destas três formas de ataque estão disponíveis na árvore de habilidades com os nomes Caça (11 habilidades desbloqueáveis), Combate (12) e Assassinato (12). Todas podem ser adquiridas com apenas um ponto de habilidade, mas algumas se mantenham bloqueadas até atingirmos determinado ponto da história ou determinado nível. Além de desbloqueá-las é possível otimizá-las duas vezes.
Conforme desbloqueamos essas formas inéditas de ataque, é possível incluí-las em uma das duas rodas de habilidades com quatro espaços, que correspondem aos quatro botões dos controles dos consoles. Enquanto o jogador explora ou quando entra em combate, é possível apertar L1/L2 ou LB/LT para destacar um destes dois círculo de habilidades e utilizar os golpes especiais de Arco e Flecha ou combate corpo a corpo, o que traz maior variedade para atacar e pensar em estratégias para enfrentar soldados muito poderosos -- seja o oponente quem for, quando estiver lutando em uma montanha, tente levar o inimigo até a ponta do precipício e utilize o Chute Espartano para eliminá-lo rapidamente arremessando-o lá de cima, vale muito a pena.
A história do mundo moderno, por exemplo, embora nunca tenha sido a parte mais divertida dos jogos anteriores, finalmente voltou a contar com momentos genuinamente marcantes nos quais os personagens do passado conseguem, de certa forma, se comunicar com os do presente. Foi impossível não pensar em Ezio, Altair e Desmond enquanto jogava e percebia como o tempo, aos poucos, tornava-se mais tolerante com permitir o encontro entre representantes de gerações extremamente distantes uma da outra; algo emocionante.
A movimentação do barco é muito simples e fluida. A adaptação não leva muito tempo e logo você aprende as melhores posições para disparar flechas padrão e flechas de fogo, entende como encontrar pontos fracos no barco adversário e passa a ter coragem para enfrentar mais embarcações ao mesmo tempo. A vida debaixo d'água é extremamente rica, aliás. Se após um combate quiser descer e explorar um pouco, mesmo que não em uma missão de matar tubarões ou caçar tesouros, faça isso. Poucas coisas são tão assustadoras quanto nadar ao lado de duas baleias, mesmo que elas não sejam perigosas.
Algo que não havia mencionado até então, mas também é uma das primeiras novidades com as quais nos deparamos, são justamente as opções de diálogo, que possibilitam uma construção mais pessoal das personalidades de Kassandra e Alexios. Podemos interpretar como eles responderiam às questões que os fazem ou agir como agiríamos na vida real. Não há nada de particularmente inovador no sistema de conversas para a indústria como um todo, mas trata-se de uma adição muito bem-vinda a Assassin's Creed.
Assim como as respostas contribuem para estabelecer a relação do protagonista com outros personagens, ações também irão afetar como não apenas quem faz parte da história irá se lembrar de Kassandra ou Alexios, mas também o povo. Quanto mais caos causar em público, maiores serão as possibilidades da cabeça do personagem ser colocada a prêmio e mercenários virem te perseguir. Por incrível que pareça, adorei a sensação de descobrir que havia mercenários me perseguindo e que eles podiam chegar perto de mim a qualquer momento. Em uma situação, enquanto jogava com Kassandra, percebi que havia um mercenário extremamente forte por perto. Quando o vi, me escondi e na hora ele começou a correr de um lado para o outro como se soubesse que eu estava por perto. A sensação é semelhante a de ser perseguido por Nemesis em Resident Evil 3; um misto de pavor e desejo por desafio.
Existem nove "níveis" de mercenários e um dos objetivos paralelos do protagonista é tornar-se o mais poderoso entre eles aniquilando todos os rivais, seja se defendendo quando é atacado ou caçando um por um. Essa diversão por si só renderá boas dezenas de horas, pois exige tornar o personagem ainda mais forte.
Se contra mercenários podemos tanto ser presa quanto predador, somos definitivamente quem caça nas missões dos Cultistas. Claro que não vou estragar a surpresa dizendo todos os detalhes a respeito deste culto maligno, mas simplesmente tenha em mente que se trata de um grupo cujos membros precisamos identificar, localizar e executar. Este modo vale praticamente um jogo à parte de tão empolgante que acaba sendo. Você destrói toda uma organização secreta membro por membro até chegar ao grande vilão, cuja revelação, que não demora tanto assim, pode causar certo espanto.
Algumas questões técnicas são o único aspecto que podem chamar a atenção dos jogadores negativamente. É preciso acessar os menus constantemente para trocar de arma e armadura, mas a navegação por entre as opções do menu são extremamente demoradas. Além disso, quando estamos utilizando Ikaro e vamos para muito longe -- ou mesmo quando utilizamos a viagem rápida -- o tempo de loading é absolutamente lento e até desencoraja, em alguns momentos a utilização de recursos cruciais para agilizar a exploração e fortalecer o personagem. Talvez algum patch resolva estas questões no futuro, mas atualmente tratam-se dos maiores problemas do game.
Os fãs de Assassin's Creed se preocupam há algum tempo com como os games que sucedem a conclusão da jornada de Ezio Auditore parecem ignorar boa parte de toda a mitologia da franquia que envolve a primeira civilização. Felizmente, Odyssey retoma este núcleo da história, o que pode agradar os fãs de longa data. No entanto, o sistema mais complexo de RPG pode afastar outros jogadores que não estão acostumados com gerenciamento de inventário ou aplicação de vantagens em armas, por exemplo. Trata-se de um game essencial para os jogadores que curtem um bom game em RPG de mundo aberto e um título que pode dividir os fãs mais tradicionais da franquia.
Assassin's Creed Odyssey é, tranquilamente, o melhor game da franquia desde o final da saga de Ezio Auditore. Com maestria, soube aprofundar conceitos introduzidos à série por meio de Origins e transformou completamente a experiência de viver na pele de um Assassino. Pensando no aspecto macro, trata-se de um dos melhores games de RPG em mundo aberto dos últimos tempos ao lado de The Witcher 3: Wild Hunt, The Elder Scrolls V: Skyrim e muitos outros queridinhos do público. A pluralidade e consequente vida útil do game é de grandeza inédita entre os jogos da Ubisoft e estabelece um padrão de qualidade elevado para os próximos títulos da franquia.
Fonte: ign
Fonte: ign





ASSASSIN'S CREED ODYSSEY por enquanto é o meu jogo favorito,pois sua história e sua game play são impressionantes.O mapa é gigantesco e por isso há muitas missões que podem ser realizadas para evoluir seu personagem e lhe ajudar na missão principal do jogo.Além disso, gostei bastante da oportunidade de poder encolher o gênero do personagem.
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